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Bisnetas festejam os 100 anos de Raul Vieira com álcool e máscaras para o Santa Maria

A lidar com várias crises desde 1920, quis o destino que o mundo fosse assolado este ano por uma pandemia, obrigando a farmacêutica a anular a festa do centenário, desviando esse investimento para a doação de produtos de combate à covid-19 ao hospital de Lisboa.

Maria de Macedo (na foto) e Margarida de Macedo, bisnetas do fundador da empresa, estão desde 1999 ao leme do grupo farmacêutico Raul Vieira.
Rui Neves ruineves@negocios.pt 17 de Junho de 2020 às 13:44
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Ultrapassou muitas crises ao longo dos últimos 100 anos, mas a sua propriedade permanece no seio da mesma família, sendo liderado, desde o último ano do século passado, por Margarida e Maria de Macedo, bisnetas do fundador do grupo farmacêutico Raul Vieira, que tem sede na Rua dos Correeiros, em Lisboa.

 

Entretanto, quis o destino que, mais de duas décadas após a quarta geração ter assumido os comandos da empresa, uma pandemia se instalasse no mundo e impedisse a festa de celebração do centenário desta pequena farmacêutica, que emprega 25 pessoas e fechou o último exercício com uma faturação de 1,7 milhões de euros.

 

"A festa ficou sem efeito e o dinheiro que estava reservado para ela converteu-se numa doação ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa", revela esta empresa familiar, em comunicado, adiantando que o investimento que seria alocado à celebração do seu centenário foi utilizado na doação de um "conjunto de duas mil máscaras cirúrgicas e 250 litros de álcool gel" a esta unidade hospitalar.

 

Doença de um familiar determina foco na medicina de biorregulação  

 

Ao longo dos últimos 100 anos, a atividade do grupo Raul Vieira "destacou-se na comercialização de vacinas, soros de uso humano e veterinário, derivados de plasma, tendo também apostado na década de 60 no setor da cosmética".

 

Já na década de 80, o pai das atuais administradoras "deu o primeiro passo no interesse da medicina bioreguladora", que acabou por se tornar "no grande foco" das irmãs Macedo a partir do momento em que assumiram o leme do grupo.

"Esta forte aposta teve como detonador a experiência pessoal com resultados muito positivos no tratamento de uma doença de um familiar", explica Maria de Macedo.

 

"Em segundo lugar, embora fosse difícil, representava um nicho de mercado ainda pouco explorado e, como terceiro fator, termos conseguido negociar um contrato de representação exclusiva para Portugal de um dos mais importantes laboratórios mundiais neste campo, que nos podia assegurar o apoio científico necessário ao desenvolvimento desta terapêutica médica", frisa.

 

E faz um balanço positivo desta aposta: "Tem-se registado um aumento da utilização deste tipo de opção terapêutica, assim como uma aposta significativa de várias empresas do setor na introdução de medicamentos com estas características. Isto a par da cada vez maior literacia em saúde da população portuguesa e do forte interesse por parte da comunidade médica, o que tem contribuído para a procura de opções terapêuticas baseadas em componentes naturais", realça Maria de Macedo.

 

E se a atual pandemia veio, por um lado, "colocar um travão na promoção e implementação de novos medicamentos, devido ao confinamento e à inviabilidade do contacto presencial tão característico deste setor de atividade", por outro lado, garante o grupo Raul Vieira, fez disparar a venda de alguns segmentos.

 

"Os nossos medicamentos biorreguladores de origem natural, que são adequados à época - por exemplo, para o fortalecimento do sistema imunitário ou estados gripais, registaram um ‘boost’ assinalável nas vendas", afiança Margarida de Macedo.

 

Representante de vários laboratórios internacionais, o grupo Raul Vieira garante que possui cerca de mil pontos de venda em Portugal, tendo como clientes farmácias, parafarmácias, hospitais, clínicas médicas e locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica.

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