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Privados podem entrar na segunda fase de vacinação para a covid-19

Depois dos grupos prioritários serem vacinados no SNS no arranque de 2021, Marta Temido admite que a administração da vacina para a covid-19 ao resto da população é “eventualmente extensível a outros pontos do sistema, com uma logística segura".

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 03 de Dezembro de 2020 às 16:13
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A ministra da Saúde falou esta quinta-feira, 3 de dezembro, de "um dia importante" para Portugal, que, à semelhança do que já acontecia noutros países, passa a contar com um plano para a administração de vacinas para a covid-19. As seis que já estão garantidas pelos contratos assinados a nível europeu são "um amplo portefólio daquilo que poderão ser as várias escolhas e as melhores opções terapêuticas".

As primeiras vacinas, destinadas ao grupo prioritário com 950 mil pessoas, vão ser disponibilizadas em "vários pontos do SNS". Numa segunda fase, acrescentou Marta Temido, a administração destas doses a uma franja mais ampla da população pode ser "eventualmente extensível a outros pontos do sistema, com uma logística segura e registos que permitam a todo o momento monitorizar o processo".

Em entrevista ao Negócios, o presidente da associação de distribuidores farmacêuticos, Nuno Cardoso, já tinha alertado que "as farmácias são fundamentais para assegurar vacinação em massa". Lamentando ter ficado de fora da discussão deste plano de vacinação, assegurou que os operadores nacionais têm conhecimento, soluções logísticas e capacidade instalada para participarem nesta operação.

Embora não consiga ainda desenhar um plano tão detalhado para as fases seguintes da vacinação, também Francisco Ramos, coordenador da "task force" nomeada na semana passada pelo Executivo, deu como certo que será "precisa uma expansão dos pontos de vacinação, com critérios a definir, conforme o calendário e o ritmo de abastecimento de vacinas". 



Apesar da aprovação iminente das primeiras vacinas, que têm características diferentes e já estão a ser avaliadas pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) –, só no próximo inverno deverá ser retomada alguma normalidade pré-covid. Para já, a duração da imunidade e a eficácia nos vários grupos são as maiores incertezas, segundo os especialistas ouvidos pelo Negócios, que aconselham a salvar o Natal… de 2021.

A "task-force" criada pelo Governo para definir o plano de vacinação para a covid-19, apresentado esta tarde, tem um núcleo de coordenação liderado pelo ex-secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, e que inclui ainda elementos da Direção-Geral da Saúde, do Infarmed e dos Ministérios da Defesa e da Administração Interna, contando com o apoio técnicos de diversas estruturas.

Da lista de entidades que prestam esse apoio técnico fazem parte o Estado-Maior-General das Forças Armadas, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH).

Contratos asseguram 30 milhões de vacinas

O Estado português arrisca pagar bem mais de 200 milhões de euros pelas vacinas para a covid-19, a confirmar-se a aprovação por parte da EMA das seis vacinas diferentes já negociadas pela Comissão Europeia. E ao custo relativo à aquisição das vacinas será preciso somar as despesas relativas ao transporte, armazenamento e distribuição da vacina, que será administrada de forma gratuita ao longo de 2021.

Segundo cálculos do Negócios, com base nos contratos celebrados pelo bloco comunitário e que garantem a Portugal 2,3% do volume total – Costa já garantiu que fez "a encomenda máxima de cada lote a que temos direito" –, o país pode receber quase 30 milhões de doses.

Ponderados os preços unitários, que variam entre os 2,5 euros da AstraZeneca/Oxford e os 21 euros da Moderna –, a despesa ficaria próxima dos 300 milhões de euros, acima dos 200 milhões admitidos pela ministra da Saúde.

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