PME "sobrevivem 2 a 4 semanas" sem receita, mas apoios podem "mitigar este efeito"
Com um tecido empresarial composto maioritariamente de pequenas e médias empresas (PME), o impacto das tempestades na região centro atingiu com violência reservas de tesouraria que eram já reduzidas. Quatro mil empresas com prejuízos de mil milhões já pediram apoio e mais de 90 empresas pediram lay-off para quase 900 trabalhadores.
A investigadora do ISAG Ana Pinto Borges lembra que quanto mais pequena a empresa, menos margem tem para acomodar perdas de produção, estando "em condições mais desfavoráveis em termos financeiros e o acesso a crédito tem mais barreiras". "As pequenas e médias empresas sobrevivem sem qualquer entrada de dinheiro à volta de duas a quatro semanas, estamos a falar de dias", alerta, em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.
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No entanto, os apoios anunciados deverão reduzir esse impacto. "As medidas do Governo que já estão em curso para ajudar em injeção, também de liquidez à tesouraria, liquidez ao investimento e à recuperação e à reconstrução têm como objetivo mitigar este efeito", e espera-se que permitam que algumas empresas "recuperem a sua produção rapidamente".
O Governo decidiu duplicar a linha de crédito à tesouraria de 500 milhões para 1.000 milhões de euros, mas o reforçado "plafond" está em vias de se esgotar novamente - dados da Estrutura de Missão "Reconstruir o Centro do País", divulgados esta semana, indicam que as 4.310 candidaturas recebidas equivalem a um valor global de pedido de financiamento que ascende a 905,37 milhões de euros.
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Ana Pinto Borges alerta ainda para o efeito de contágio, o que significa que os impactos do mau tempo podem estender-se até a empresas que não sofreram danos diretos. "Estamos num circuito económico, há contágio económico e significa que uma pequena empresa interage com outra pequena empresa e, de facto, havendo aqui uma interrupção de pagamento entre elas e fornecedores, pode haver aqui algum risco de algumas empresas não continuarem a sua atividade. E este risco económico, este risco financeiro, passa também igualmente para um risco social", diz.
Com as seguradoras a estimar perdas de 600 milhões só em património segurado, a investigadora do ISAG lembra que muito pode ficar de fora. "Nem sempre estão segurados para todas as calamidades (...) Também há a situação em que as empresas têm seguro mas o valor fica muito aquém do valor real, o que significa que têm que colocar montantes elevados da própria tesouraria, da própria empresa", comenta, chamando a atenção para o facto de muitas não estarem protegidas contra a paragem de atividade. "As empresas têm que, no futuro, refletir e renegociar com as seguradoras, de forma a que também esteja abrangida essa possibilidade de inatividade", apela.
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