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ARAN acusa Governo de "destruir setor automóvel para garantir votos no OE"

A aprovação das propostas do PAN que limitam os benefícios fiscais para híbridos e híbridos plug-in continua na mira das associações do setor automóvel. A ARAN acusa o Governo de "destruir" o setor "para garantir votos de apoio no Orçamento".

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 26 de Novembro de 2020 às 11:18
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Os limites aos benefícios fiscais na aquisição de veículos híbridos e híbridos plug-in aprovados pelo Parlamento continuam na mira dos agentes do setor automóvel. Após ontem a ACAP e também a BMW terem criticado as medidas propostas pelo PAN e aprovadas pelo PS e BE, esta quinta-feira a ARAN - Associação Nacional do Ramo Automóvel não poupa nas críticas.

A associação liderada por Rodrigo Ferreira da Silva classifica, em comunicado, a proposta do PAN de "fundamentalista" e considera que "corta um dos poucos apoios ao setor automóvel".

Tal como a Associação Automóvel de Portugal (ACAP), a ARAN considera que este Orçamento do Estado já primava pela ausência de apoios a um setor duramente atingido pela crise da pandemia e que tem um peso significativo na economia nacional. Mas a questão dos híbridos foi a gota de água que fez transbordar o copo.

"Este é um Orçamento mau para o setor que ficou péssimo para garantir a sua aprovação", acusa o presidente da ARAN. "Esta é uma medida que parece preferir um parque automóvel antigo e mais poluente. O Governo está a destruir um setor para garantir votos de apoio no Orçamento de Estado", reforça Rodrigo Ferreira da Silva.

 

O presidente da associação acrescenta que  "este é um retrocesso nas metas ambientais estabelecidas pelo Governo" e considera que "são vários passos atrás na estratégia do Governo, com um impacto muito negativo no setor automóvel".

"Os veículos híbridos representam 50% das vendas de algumas marcas, que investiram muito no desenvolvimento destes produtos. Neste momento há milhares veículos encomendados que as empresas terão muitas dificuldades em vender. Assim como vai prejudicar os proprietários que adquiriram veículos híbridos e agora questionam o investimento", sublinha.


"Esta proposta está a hipotecar a pegada ambiental, pois o parque automóvel nacional está muito envelhecido e com o incentivo à aquisição de veículos híbridos estava a ser promovido um investimento em veículos mais amigos do ambiente", prossegue Rodrigo Ferreira da Silva.

"Esta proposta vem contrariar todo o investimento que estava a ser realizado a este nível. Está a ser esquecida a importância que os carros híbridos têm na redução da poluição nos centros das cidades, designadamente nos períodos de "pára arranca" nas horas de maior trânsito, com emissão de poluição, muito prejudiciais para os peões", insiste o presidente da ARAN no comunicado.

 

A ARAN "apela ao retrocesso desta proposta que, alinhada com a redução de impostos aos veículos usados importados acentuará as dificuldades económicas do setor, assim como o envelhecimento do parque automóvel com a idade média de 12,7 anos, a mais alta de sempre", conclui o documento.

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