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Hyundai diz que "portugueses vão pagar mais por optarem por carros amigos do ambiente"

A Hyundai Portugal reage com "estupefação" às medidas aprovadas no OE2021 que limitam os benefícios fiscais para os automóveis híbridos e híbridos plug-in. E alerta para a "recessão grave" no setor que estas medidas vão causar.

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 26 de Novembro de 2020 às 13:01
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A limitação dos incentivos fiscais para viaturas híbridas e plug-in híbridas aprovada no Parlamento na votação da especialidade do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) continua a agitar o setor automóvel.

As associações ACAP e ARAN já criticaram duramente as medidas e também a BMW já manifestou ao Negócios o desagrado com a decisão, admitindo que terá um "impacto negativo para a empresa". Também a Hyundai Portugal expressa esta quinta-feira a "estupefação" com as medidas e defende que "os portugueses vão pagar mais por optarem por carros amigos do ambiente".

A marca sul-coreana conta com cerca de 15% de híbridos e híbridos plug-in no total das vendas no mercado português nos primeiros 10 meses deste ano.

Em comunicado, a Hyundai Portugal começa por lamentar que "uma medida com um impacto tão significativo tenha sido tomada de modo unilateral, sem que o setor tenha sido previamente consultado, sem se fazerem contas, sem medir possíveis impactos e consequências".

A fabricante sul-coreana elenca ainda motivos para a discordância com "dados rigorosos", detalhando que "as viaturas híbridas apresentam níveis de emissões bastante inferiores quando equiparadas com uma viatura convencional, mesmo quando falamos de motorizações de maior cilindrada. A média de emissões de um automóvel familiar híbrido são 119g de CO2 / km versus 128g num automóvel familiar a diesel e 142g num automóvel familiar a gasolina".

"Não existe evidência científica que justifique que as viaturas híbridas ou plug-in são mais poluentes do que motorizações a combustão, mesmo na ausência de rotinas de carregamento, pelo que, no nosso entender, esta premissa que serviu de base para a alteração da política de incentivos simplesmente não traduz a realidade", acrescenta. 

Acresce, diz a Hyundai, que "Portugal é já um dos mercados com maior carga fiscal sobre automóveis. A medida agora apresentada não vem mais do que, em alguns casos, duplicar a carga fiscal aplicada a estes veículos (híbridos e plug-in) que, recorde-se, representam já cerca de 20% do mercado".

Assim, sublinha, "estas tecnologias objetivamente menos poluentes do que motores de combustão, irão, naturalmente, perder competitividade. A alternativa passará, obviamente, pelos motores de combustão (gasolina e gasóleo), não só por, genericamente, apresentarem valores de transação mais competitivos, mas, sobretudo, porque a sua utilização é a mais aproximada da de um automóvel híbrido ou plug-in".

E, considera que os utilizadores que ponderavam a aquisição de híbridos ou híbridos plug-in vão comprar automóveis a gasolina ou gasóleo "dadas as suas necessidades de utilização da viatura". Portanto, reforça, "antecipamos, por isso, que a tecnologia elétrica não constitua uma opção de substituição para condutores de viaturas híbridas e plug-in e que iremos assistir a um incremento do número de viaturas a combustão em circulação".

"Em suma, com esta medida, os portugueses vão pagar mais por optarem por carros amigos do ambiente, que passam a ser mais taxados", frisa a Hyundai.

"Assistimos, com espanto, a uma reversão da estratégia de sensibilização para a consciencialização ambiental que vinha a ser implementada com bons resultados e que colocava Portugal entre os
países mais evoluídos no que diz respeito à adoção de tecnologias sustentáveis".

E deixa um alerta: "Uma decisão com este impacto resultará, a curto prazo, numa recessão grave,
acentuada pela atual conjuntura pandémica. Em causa está toda a estratégia empresarial definida pelo setor para os próximos anos, os compromissos assumidos, a aposta na procura de soluções ambientalmente mais responsáveis, os enormes investimentos em stocks de viaturas já efetuados, e
os milhares de postos de trabalho".

"Não escolhemos este caminho. Quem assumirá a responsabilidade?", conclui o texto, assinado pelo CEO da Hyundai Portugal, Sérgio Ribeiro.
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