Banca & Finanças Cada euro de crédito ao consumo gera 1,5 euros no PIB ao final de dois anos

Cada euro de crédito ao consumo gera 1,5 euros no PIB ao final de dois anos

De acordo com um estudo da Nova SBE e da Associação de Instituições de Crédito Especializado, a oferta do crédito especializado está significativamente correlacionada com a atividade económica.
Cada euro de crédito ao consumo gera 1,5 euros no PIB ao final de dois anos
Miguel Baltazar/Negócios
Rita Atalaia 25 de junho de 2019 às 12:00

Depois de atingir recordes sucessivos, há ligeiros sinais de abrandamento na concessão de crédito ao consumo, à boleia das medidas do Banco de Portugal. O forte aumento assustou o regulador, mas, segundo um estudo da Nova SBE, em parceria com a Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC), este crescimento pode ser benéfico para a economia. Isto porque, refere, cada euro de crédito traduz-se em mais um euro para o Produto Interno Bruto (PIB) ao fim de um ano. Já passados dois anos este valor aumenta para 1,5 euros.

 

"Encontramos um efeito multiplicador – variação do PIB sobre a variação do crédito concedido pelas associadas da ASFAC – em aproximadamente 1 passado um ano, e de 1,5 passados dois anos. Isto é, um euro a mais de concessão de crédito das associadas da ASFAC traduz-se em aproximadamente 1 euro passado um ano, e 1 euro e 50 cêntimos passados dois anos", de acordo com o estudo apresentado esta terça-feira, 25 de junho, no campus da Nova SBE, em Carcavelos, sobre o "impacto do crédito ao consumo na economia portuguesa". 

 

O estudo adianta ainda que o efeito do crédito no PIB "dá-se acima sobretudo através do consumo de bens duráveis e investimento. Quando o crédito ASFAC [das instituições de crédito especializado] aumenta inesperadamente em 1%, o consumo de bens duráveis e investimento aumenta em 0,5% e 0,4%, respetivamente, passado dois anos".

 

Além disso, conclui, "o impacto de um aumento da oferta de crédito ASFAC aumenta o número total de empregos e diminui a taxa de desemprego". Portanto, "de uma forma geral, concluímos que a oferta do crédito ASFAC está significativamente correlacionada com a atividade económica".

 

Segundo o estudo, esta correlação não é de agora. "Nesta análise, concluímos que os choques na oferta de crédito total ASFAC foram relevantes para a dinâmica do PIB em Portugal nas últimas duas décadas. Em particular, os choques negativos, ou seja, de contração do crédito total ASFAC, contribuíram aproximadamente em metade para a redução do PIB na segunda metade de 2011 até à primeira metade de 2012".

 

O documento destaca ainda "o facto de a recuperação do PIB pós-crise de 2014 se dever, em grande medida, à recuperação do crédito total ASFAC. Sem o aumento do crédito ASFAC, o PIB seria aproximadamente 0,5% inferior ao registado no primeiro trimestre de 2018".




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