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O que mudou em 15 dias?

O Banco de Portugal disse, a 31 de Julho, que a 30 de Junho "as perdas resultantes da exposição ao GES mantiveram-se dentro dos limites antecipados". Mas em quinze dias tudo mudou. Até Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, garantiu a 17 de Julho que os dados não mostram que seria necessária recapitalização pública. Este domingo, Carlos Costa volta a referir surpresa e fala em falhas de gestão.

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Alexandra Machado amachado@negocios.pt 03 de Agosto de 2014 às 22:18
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"As perdas resultantes da exposição ao GES, apuradas e reconhecidas nas demonstrações financeiras referentes a 30 de Junho de 2014, mantiveram-se dentro dos limites antecipadas e em conformidade com a provisão de dois mil milhões de euros que o Banco de Portugal determinou que fosse constituída para esta exposição". Só que em quinze dias muita coisa mudou. E é o próprio Banco de Portugal que o diz: "No entanto, factos supervenientes, identificados pelo auditor externo apenas na segunda quinzena de Julho e com um impacto negativo de cerca de 1,5 mil milhões de euros, vieram alterar substancialmente o valor das perdas a reconhecer na conta dos resultados do primeiro semestre, ponto em causa o cumprimento dos rácios mínimos de solvabilidade vigentes".

 

O Banco de Portugal não revela, nessa altura, esses "factos supervenientes",mas descreve-os agora, a 3 de Agosto. Mas o próprio BES falou de alguns factos no comunicado de divulgação dos resultados semestrais em que o banco revela um prejuízo de 3,5 mil milhões de euros, perante imparidade de 4,3 mil milhões de euros.

 

Nesse comunicado a gestão liderada por Vítor Bento diz ter tomado conhecido, após a divulgação da exposição do BES ao GES a 10 de Julho, da "existência de duas cartas emitidas pelo Banco Espírito Santo a benefício de entidades credoras da Espírito Santo International, cuja aprovação não havia sido realizada de acordo com os procedimentos internos instituídos no banco nem constava dos seus registos contabilísticos a 30 de Junho". O que obrigou a uma provisão adicional de 856 milhões.

 

Nesse mesmo comunicado, a gestão agora em funções no BES revela que já em Julho foram identificados três SPE ("special purpose entities, ou instrumentos veículo especiais) "cujos activos eram fundamentalmente constituídos pelas obrigações emitidas pelo grupo". O banco estava a auto-financiar-se e sem consolidar esses instrumentos nas contas. "Os actuais membros do conselho de administração que estavam em funções à data de 30 de Junho desconheciam as transacções realizadas através de intermediários financeiros". Existia, ainda, e foi agora descoberto um quarto veículo cujo valor dos activos deverá rondas os 77 milhões de euros. "À data de aprovação das contas do primeiro semestre, não se possui qualquer informação sobre este quarto veículo". 

 

Revela-se nesse comunicado um aumento da exposição do BES ao Grupo Espírito Santo.

 

No dia 17 de Julho, Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, afirmou no Parlamento que "não estamos a preparar a recapitalização do BES. Nada da informação que temos indica que a recapitalização pública seja necessária".

 

Este domingo, 3 de Agosto, Carlos Costa falou do que descobriram e que levaram a perdas de mais 1,5 mil milhões de euros, os tais "factos supervenientes". Trata-se da emissão de duas cartas conforto "em violação dos procedimentos internos deste tipo de operações".

 

E a realização de operações de colocação de títulos envolvendo o BES, GES e Eurofin Securities que determinaram registo perdas de 1.249 milhões euros também com referência a 30 Junho".

 

Carlos Costa garantiu este domingo, 3 de Agosto, que "estas operações tiveram impacto negativo de 1,5 mil milhões na conta de resultados do primeiro semestre". E acrescentou: "os actos em causa não foram trazidos ao conhecimento do Banco de Portugal por qualquer dos órgãos degestão ou fiscalização à data de ocorrência e como era obrigação". 

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