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Dona do Pingo Doce admite pagar novo prémio aos colaboradores

A Jerónimo Martins refere que "não está excluída" a possibilidade de ser pago um novo prémio aos colaboradores que estão "na linha da frente" das operações.

A importação de bens para venda nas lojas em Portugal tem valido um lugar no ranking das maiores importadoras ao Pingo Doce, que pertence à Jerónimo Martins. De acordo com dados da empresa, cerca de 20% das compras totais do grupo são feitas a fornecedores estrangeiros.
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 29 de Outubro de 2020 às 11:48
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A Jerónimo Martins (JM) afirma não estar excluída a hipótese de vir a pagar um novo prémio aos colaboradores das várias insígnias que opera em Portugal, Polónia e Colômbia. A questão foi colocada esta quinta-feira, na apresentação aos analistas dos resultados do grupo nos primeiros nove meses de 2020, que terminaram com lucros de 219 milhões de euros. 

"Não excluímos pagar um novo bónus às equipas operacionais que estão na linha da frente das nossas lojas, a assegurar que o negócio não pára e que os clientes têm acesso ao que precisam", adiantou a administradora financeira do grupo, Ana Luísa Virgínia, acrescentando que "nesta altura é difícil quantificar" o possível valor em causa. 

Em abril, o grupo anunciou o pagamento do prémio anual aos colaboradores, no valor de 500 euros. 

Na conferência desta quinta-feira, a administradora financeira da JM respondeu sobretudo a questões relacionadas com as dificuldades que o grupo está a enfrentar nas várias geografias onde opera, devido às restrições impostas no âmbito da crise pandémica. A responsável garante que o grupo está "mais preparado" do que em março ou abril para acomodar o impacto dos limites ao consumo. 

"As restrições de acesso às lojas não são novas, mas é claro que mudam o comportamento do consumidor. Nesta altura estamos mais preparados no que diz respeito às condições de segurança das lojas, porque já temos a experiência do passado. E, no caso da Polónia, voltámos a estender os horários de funcionamento. Sentimos que os consumidores estão mais confiantes e, nesse sentido, esperamos  que os clientes façam menos compras por impulso", realçou Ana Luísa Virgínia. 

As restrições ao consumo tiveram impacto nos resultados do grupo até setembro, sobretudo em Portugal e na Colômbia. 

Na Polónia, onde as restrições foram levantadas em maio, as vendas da Biedronka subiram 7,3% para 9,9 mil milhões de euros. Já em meados de outubro, o país voltou a impor novas medidas, criando um sistema de "semáforos" que divide as zonas mais impactadas pela pandemia por cores. Nas zonas vermelhas, é permitida a permanência de um cliente por cada 15 metros quadrados e de cinco pessoas por check-out. Foi ainda decretado que, entre as 10h00 e as 12h00, só as pessoas com mais de 60 anos podem fazer compras. O impacto destas medidas nas contas do último trimestre "irá depender da evolução da pandemia". 

Ainda assim, a Biedronka deverá continuar a ser o "motor de crescimento" do grupo, e "mesmo com mais restrições, sendo uma insígnia de tráfego elevado, irá sempre superar o mercado". 

Uma das preocupações da Jerónimo Martins no mercado polaco prende-se não com a pandemia, mas com o imposto sobre o setor do retalho que deverá entrar em vigor no próximo ano, estando previsto no Orçamento do Estado. 

"Sabemos que este imposto irá afetar toda a economia. Temos a certeza que, caso seja implementado, este imposto será usado para estimular a economia e poderá ter, por isso, um lado positivo. Mas claro que será desafiante, sobretudo no contexto atual", admite Ana Luísa Virgínia.


Já na Colômbia, onde o grupo detém os supermercados Ara, que nos últimos meses foram fortemente impactados pela crise económica causada pela covid-19, "ainda é muito cedo para tirar conclusões" sobre o aligeirar das restrições, considera a responsável. "A curto prazo, estamos a falar de um país onde as pessoas não podem ir trabalhar, quase não têm rendimentos além das ajudas do Estado e onde há milhões de famílias a lutar para sobreviver". A JM acredita que, ainda assim, "a Colômbia continua a ser uma oportunidade a longo prazo". Praticamente descartada está a hipótese de ser alcançado o break-even no país no próximo ano. 

Expansão no Leste europeu ainda na mira

Em cima da mesa continua, no entanto, a vontade de expandir o negócio para outras geografias, nomeadamente no leste da Europa. Antes da crise pandémica, a Jerónimo Martins admitiu estar a estudar oportunidades na Roménia. A covid-19 veio alterar o calendário, mas não os planos de expansão. 

"Ainda temos ambição de crescer e de abrir outra frente de negócio na Europa de Leste, isso não mudou. Em termos de timing, o comportamento atual do mercado poderá criar oportunidades. No entanto, as restrições à mobilidade são um constrangimento para nós a esse nível, porque queremos avaliar as oportunidades no terreno, e neste momento é difícil, pelo que o processo de expansão deverá atrasar". 

A JM irá realizar, no próximo dia 26 de novembro, uma Assembleia Geral Extraordinária, na qual será proposta, pelo Conselho de Administração, a distribuição do montante remanescente dos dividendos, que tinham ficado "retidos" por cautela, para o payout de 50%, no valor total de 86,7 milhões de euros. Ana Luísa Virgínia acredita que, no próximo ano, a política de dividendos do grupo não deverá sofrer alterações. 

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