IVA Zero divide Soares dos Santos: "Não sei se é medida mais equilibrada"
Homem-forte da dona do Pingo Doce mostra reservas quanto ao regresso da medida posta em marcha em 2023 para aliviar inflação através da isenção do IVA num cabaz de produtos essenciais.
O presidente do conselho de administração e CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, mostra-se "dividido" relativamente à medida, aplicada em 2023, que isentou de IVA um cabaz de alimentos essenciais.
"Tem coisas muito boas e coisas muito más. Não sei se é a medida mais equilibrada, mais justa, estou sempre dividido nesta matéria", afirmou, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2025.
A isenção de IVA foi aplicada a um cabaz de 46 produtos alimentares considerados essenciais como medida para aliviar a inflação e, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), conseguiu surtir esse efeito.
O estalar da guerra no Médio Oriente veio levantar receios de uma subida da inflação, mas Pedro Soares dos Santos relativizou, pelo menos para já.
"O que se está a projetar para a inflação tem sido mais suposições", sustentou.
Aliás, enfatizou, a taxa de inflação no negócio do retalho alimentar está "ao contrário", desde logo, na Polónia, onde a Biedronka, que entrega 70% da faturação do grupo, começou 2026 a operar em deflação.
Um cenário que - vincou - não é muito diferente em Portugal, onde o grupo detém o Pingo Doce e o Recheio. "A inflação nas nossas lojas é praticamente inexistente em relação ao ano passado", frisou.