Jerónimo Martins absorve escalada dos combustíveis. "Vamos ver até que ponto é possível aguentar"
Dona do Pingo Doce garante estar a "absorver" impacto da subida dos combustíveis, propiciada pela guerra no Médio Oriente, para já, o único com "efeito imediato" na operação.
O impacto da escalada dos preços dos combustíveis figura como o "único" com "efeito imediato" que a Jerónimo Martins diz estar a sentir na sequência da guerra no Médio Oriente, adiantando que, para já, o grupo tem tido "capacidade" para o absorver.
Nesta fase, as companhias do grupo têm estado a absorver. Vamos ver até que ponto é possível aguentar", afirmou o presidente do conselho de administração e CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2025.
"Até ao fim de março vamos ter de medir, (...) de saber muito bem onde estamos nesta matéria, mas até lá as companhias têm capacidade para continuar a controlar o aumento dos combustíveis", sem os refletir no preço dos produtos junto do consumidor.
"O impacto dos combustíveis é o único até agora que sentimos com efeito imediato", sinalizou, embora advertindo que outros poder-se-ão sentir mais à frente como ao nível dos fertilizantes, dado que o Médio Oriente figura como um dos principais produtores mundiais. "Temos de aguardar a evolução"
Já no caso da fatura da eletricidade (para cuja formação de preço contribui o gás natural, que tem disparado também com o conflito no Irão), Pedro Soares dos Santos mostrou-se mais descansado: "Temos preços negociados para alguns anos - está mais ou menos estável".
Relativamente a efeitos como a subida da inflação, Pedro Soares dos Santos apontou que a taxa no negócio do retalho alimentar está "ao contrário", desde logo, na Polónia, onde a Biedronka, que entrega 70% da faturação do grupo, começou 2026 a operar em deflação.
Um cenário que não é muito diferente - vincou - do que vive em Portugal, onde detém o Pingo Doce e o Recheio. "A inflação nas nossas lojas é praticamente inexistente em relação ao ano passado".
"O que se está a projetar para a inflação tem sido mais suposições", sustentou.
A Jerónimo Martins fechou o ano passado com lucros de 646 milhões de euros, valor que traduz um aumento de 7,9%, anunciou, esta quarta-feira, o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos, que voltou a ver crescer o resultado líquido após a quebra de 20,8% em 2024.
As vendas aumentaram 7,6% em 2025 para 35.991 milhões de euros, como anunciado nos resultados preliminares, enquanto o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) subiu 11,1% para 2,5 mil milhões de euros, com a respetiva margem a fixar-se nos 6,9% (6,7% em 2024).
Mas, em face da contexto geopolítico, que não é de hoje, como assinalou Pedro Soares dos Santos, recordando que tem a instabilidade às portas de dois dos seus mercados - Ucrânia junto à Polónia e Venezuela junto à Colômbia - o gestor admite que pode haver dificuldades em manter essa margem em 2026.
"Vai ser extremamente desafiante", afirmou, até porque "não é só na alimentação". "Se tudo o que está ao redor das pessoas dispara, como combustíveis ou taxas de juro, as pessoas vão ter de fazer escolhas e sabemos que no nosso negócio é fundamental manter os volumes". "Temos de aceitar que esse risco [de a margem baixar] existe na Polónia e em Portugal", apontou.
"Se tivermos uma dose de realismo estamos mais bem prevenidos", concluiu.