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Jerónimo Martins absorve escalada dos combustíveis. "Vamos ver até que ponto é possível aguentar"

Dona do Pingo Doce garante estar a "absorver" impacto da subida dos combustíveis, propiciada pela guerra no Médio Oriente, para já, o único com "efeito imediato" na operação.

12:39

O impacto da escalada dos preços dos combustíveis figura como o "único" com "efeito imediato" que a Jerónimo Martins diz estar a sentir na sequência da guerra no Médio Oriente, adiantando que, para já, o grupo tem tido "capacidade" para o absorver.

Nesta fase, as companhias do grupo têm estado a absorver. Vamos ver até que ponto é possível aguentar", afirmou o presidente do conselho de administração e CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, na conferência de imprensa de apresentação dos .      

"Até ao fim de março vamos ter de medir, (...) de saber muito bem onde estamos nesta matéria, mas até lá as companhias têm capacidade para continuar a controlar o aumento dos combustíveis", sem os refletir no preço dos produtos junto do consumidor.

 "O impacto dos combustíveis é o único até agora que sentimos com efeito imediato", sinalizou, embora advertindo que outros poder-se-ão sentir mais à frente como ao nível dos fertilizantes, dado que o Médio Oriente figura como um dos principais produtores mundiais. "Temos de aguardar a evolução"

Já no caso da fatura da eletricidade (para cuja formação de preço contribui o gás natural, que tem disparado também com o conflito no Irão), Pedro Soares dos Santos mostrou-se mais descansado: "Temos preços negociados para alguns anos - está mais ou menos estável".

Relativamente a efeitos como a subida da inflação, Pedro Soares dos Santos apontou que a taxa no negócio do retalho alimentar está "ao contrário", desde logo, na Polónia, onde a Biedronka, que entrega 70% da faturação do grupo, começou 2026  a operar em deflação.

Um cenário que não é muito diferente - vincou - do que vive em Portugal, onde detém o Pingo Doce e o Recheio. "A inflação nas nossas lojas é praticamente inexistente em relação ao ano passado".

"O que se está a projetar para a inflação tem sido mais suposições", sustentou.

A Jerónimo Martins fechou o ano passado com lucros de 646 milhões de euros, valor que traduz um aumento de 7,9%, anunciou, esta quarta-feira, o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos, que voltou a ver crescer o resultado líquido .

As vendas aumentaram 7,6% em 2025 para 35.991 milhões de euros, enquanto o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) subiu 11,1% para 2,5 mil milhões de euros, com a respetiva margem a fixar-se nos 6,9% (6,7% em 2024).

Mas, em face da contexto geopolítico, que não é de hoje, como assinalou Pedro Soares dos Santos, recordando que tem a instabilidade às portas de dois dos seus mercados - Ucrânia junto à Polónia  e Venezuela junto à Colômbia - o gestor admite que pode haver dificuldades em manter essa margem em 2026.

"Vai ser extremamente desafiante", afirmou, até porque "não é só na alimentação". "Se tudo o que está ao redor das pessoas dispara, como combustíveis ou taxas de juro, as pessoas vão ter de fazer escolhas e sabemos que no nosso negócio é fundamental manter os volumes""Temos de aceitar que esse risco [de a margem baixar] existe na Polónia e em Portugal", apontou.

"Se tivermos uma dose de realismo estamos mais bem prevenidos", concluiu.

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