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Administrador da Sonae arrasa Costa: “É o Governo que estende a mãozinha às pessoas”

“Se os cidadãos portugueses querem ter um governo de pendor centralista napoleónico, é o que têm e, portanto, como vivemos em democracia, é o que temos”, critica Luís Reis, CEO da Sonae Financial Services e da Sonae Fashion, em entrevista à Executive Digest.

Luís Reis, CEO da Sonae Financial Services e da Sonae Fashion. Paulo Duarte
Negócios jng@negocios.pt 08 de Setembro de 2020 às 18:17
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Luís Reis, CEO da Sonae Financial Services e da Sonae Fashion, diz que tem "uma visão muito cética ou cautelosa sobre os oráculos da economia", quando questionado pela Executive Digest - numa entrevista realizada no final de junho - sobre as afirmações do ministro da Economia de que conta com um regresso da economia portuguesa ao desempenho antes da pandemia entre o final de 2021 e o início de 2022.

 

"Às vezes há uma diferença entre ser otimista e ser realista. Ou ser otimista e ser completamente irrealista", afirmou, considerado que a afirmação do ministro Siza Vieira "talvez esteja mais no segundo grupo destas do que no primeiro".

 

Sobre as medidas adotadas por este Governo para fazer face aos efeitos da pandemia, Luís Reis considerou que o Executivo de António Costa sofre de "um constrangimento de natureza ideológica - é um Governo que não é pró empresas privadas", acusou.

 

"Quando vemos uma Alemanha que anuncia praticamente um plano no mesmo dia do Governo português com a baixa de IRC, baixa de IRS, com estímulo claro à competitividade das empresas e estímulo claro à recuperação do consumo… vemos um Governo português preocupado em fazer aquilo que muitas vezes a esquerda acusa a direita de fazer", criticou.

 

"É o Governo da caridade. É o Governo que estende a mãozinha às pessoas, aumenta um bocadinho o subsídio, dá mais qualquer coisinha para que as pessoas fiquem muito agradadas e muito disponíveis para manterem os índices de popularidade e irem votar. São estímulos de curto prazo mas que pouco afetarão o robustecimento a prazo da economia", afiançou.

 

Em síntese, contrapondo a "nota muito alta" que dá ao Governo no que "ao combate à pandemia diz respeito", já relativamente "à forma como está a lidar com a economia, tenderia a dar-lhe uma nota bastante baixa".

 

"Se os portugueses querem ter um Governo de pendor centralista napoleónico, é o que têm"

 

A leitura que Luís Reis faz da atuação o Governo já era bastante negativa antes do surgimento da pandemia, como reconheceu à Executive Digest: "Era crítica na medida em que o Governo foi sempre (e continua a sê-lo) preocupado com o Estado. Está preocupado em aumentar o peso do Estado, em aumentar a carga estatal, em aumentar a máquina estatal", explicou.

 

Para este administrador da Sonae, o Governo "dedicou uma parte importante das suas iniciativas a aumentar o peso da função da pública, a carregar o país, quer do ponto de vista do hardware e do software com mais carga estatal e menos liberdade de iniciativa empresarial. É um Governo estatista e centralizador. Isto não é uma crítica, é uma constatação", sublinhou.

 

E contou: "Alguém me perguntava no outro dia se Portugal é um país socialista. É tão socialista porque vota socialista. Se os cidadãos portugueses querem ter um Governo de pendor centralista napoleónico, é o que têm e, portanto, como vivemos em democracia, é o que temos. Não podemos pedir a um Governo de base estatista que seja uma coisa diferente daquilo que está nos seus genes e na sua natureza", defendeu.

 

De acordo com a tese de Luís Reis, antes da pandemia, "o Governo estava a aumentar a carga estatal mas o país lá ia recuperando à custa da iniciativa privada que conseguia escapar às malhas centralizadoras".

 

"Qualquer coisa que a iniciativa privada faça leva com a canga das regras do Estado"

 

E agora? "Este tipo de Governo – e não é só o português – sempre que apanha qualquer coisa cai em cima com taxas, impostos e inibições. Veja o que aconteceu: aumentou o turismo, taxa no turismo, aumentou o alojamento local, taxa no alojamento local, começaram a aparecer Airbnb, há que pôr regras sobre os Airbnb, apareceram os Tuk Tuk, há que limitar os Tuk Tuk. Qualquer coisa que a iniciativa privada faça leva com a canga das regras do Estado", atirou.

 

Uma filosofia de atuação "centralista" que, "talvez até por isso", faça com que o Governo "tenha lidado tão bem com a crise pandémica", considerou o mesmo gestor.

 

"Eu li no outro dia um jornal que explicava as regras que é preciso seguir para ir à praia. O conjunto de regras de que se lembram é incrível. Devem estar divertidíssimos a fazer regras para tudo. Este tipo de mentalidade governativa, que limita, cerceia e condiciona a iniciativa privada", disse.

 

Luís Reis, que escreveu recentemente o livro "Da Troika à Geringonça" e foi mandatário nacional do candidato derrotado à liderança do PSD Luís Montenegro, fez também críticas demolidoras à Oposição, incluindo ao partido liderado por Rui Rio.

 

"A oposição de esquerda está muito satisfeita porque sempre que o Governo diz mata, eles dizem esfola. A oposição à direita, se quiser a do PSD, está também muito satisfeita. Porque o PSD nos últimos três anos tem primado por uma coisa chamada falta de comparência. Não existe", rematou.

 

 

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