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Banco Montepio fecha 2020 com prejuízos de 80,7 milhões

O Banco Montepio passou de lucros de 22 milhões de euros em 2019 para prejuízos de 80,7 milhões em 2020, num ano marcado pelo "impacto desfavorável" causado pela pandemia.

O Banco Montepio, liderado por Pedro         Leitão, registou uma descida dos lucros de 17% para 5,4 milhões de euros nos primeiros três meses do ano.
DR
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 19 de Fevereiro de 2021 às 09:39
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O Banco Montepio registou prejuízos de 80,7 milhões de euros em 2020, depois de ter fechado o ano anterior com lucros de 22 milhões. A instituição justifica os resultados negativos, publicados esta sexta-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com o "impacto desfavorável da pandemia do COVID-19, que se refletiu sobretudo no reforço da imparidade para riscos de crédito em 77,5 milhões de euros", que representou uma "componente relevante no valor da imparidade relevada pelo Banco Montepio no exercício de 2020 e que ascendeu a 185,1" milhões de euros. 

O custo do risco de crédito subiu de 0,9% para 1,5% em 2020, "refletindo também o reforço efetuado de imparidades resultante da pandemia". 

Os prejuízos agravaram-se também devido ao plano de ajustamento do quadro de colaboradores e do número de balcões, com o qual foram contabilizados custos e imparidades de 35,1 milhões de euros, que incluem os custos com os programas de reformas antecipadas e de rescisões por mútuo acordo e com o encerramento de balcões. O banco refere que "o objetivo global traçado no plano de ajustamento para a otimização da rede de balcões em 2020 foi alcançado", com o encerramento de 37 balcões na rede de retalho. Já o programa de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas traduziu-se numa redução de 241 colaboradores.

Ainda na sequência da crise pandémica, o Banco Montepio concedeu 38 mil moratórias até ao final de 2020, que totalizaram 3,2 mil milhões de euros.


O crédito a clientes registou uma subida ligeira, de 0,6%, para os 12,357 milhões de euros. O crescimento, nota o banco, marca "a inversão da tendência decrescente observada nos últimos anos".

Os depósitos de clientes também verificaram um ligeiro aumento, de 1,1%, para 12,502 milhões de euros, "tendo a subida dos depósitos à ordem compensado o desempenho dos depósitos a prazo". 

O produto bancário core fixou-se em 375,6 milhões de euros, face aos 390,6 milhões registados em 2019, um valor que reflete o "impacto exógeno aportado pela pandemia nos níveis de atividade económica".

A margem financeira recuou 4,5% para 242,8 milhões de euros, denotando "os efeitos adversos causados pela pandemia COVID-19 nos agentes económicos, ao determinar uma diminuição dos níveis de atividade quer das famílias quer das empresas". O banco sublinha que esta evolução "incorpora também os efeitos positivos resultantes das diminuições dos juros dos depósitos de clientes, da dívida sénior e do wholesale funding", apesar de não terem sido suficientes para "anular os efeitos negativos da redução dos juros do crédito a clientes, neste caso devido aos efeitos volume e taxa, da descida dos juros da carteira própria e, também, do incremento dos juros com as emissões de dívida subordinada". 

O valor das comissões líquidas diminuiu 6% para 115,3 milhões de euros, "refletindo o menor nível de comissões associadas a meios de pagamento devido à menor transacionalidade aportada pela pandemia, e também a descida das comissões com operações de crédito, dada a redução dos níveis de atividade dos agentes económicos, por um lado, e o efeito das moratórias na originação de novas operações de crédito".

Os custos operacionais aumentaram 10%, para 291,4 milhões de euros, devido ao impacto do plano de ajustamento do quadro de colaboradores e do encerramento de balcões. Excluindo estes efeitos, ressalva o Banco Montepio, os custos operacionais teriam diminuído 2,1 milhões face a 2019. 

O ativo total do banco cifrou-se em 17.941 milhões de euros, o que equivale a um aumento de 1,1% face ao ano anterior.

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