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Comissão executiva da TAP e Governo entram em choque

O Governo considera que a decisão da gestão da empresa de atribuir prémios seletivos a 180 trabalhadores “constitui uma quebra da relação de confiança” que existia entre as duas partes. A comissão executiva diz que não há “nada de errado” no plano de prémios”.

Miguel Baltazar
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 06 de Junho de 2019 às 21:12
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O verniz nas relações entre o Estado e a comissão executiva da TAP estalou. Com estrondo mediático. Em causa estão os prémios que a gestão decidiu atribuir a 180 trabalhadores, no valor global de 1,17 milhões de euros.

O Estado, que detém 50% do capital da transportadora, através do Ministério das Infraestruturas, reagiu negativamente a esta atribuição de prémios, considerando que a mesma "constitui uma quebra da relação de confiança entre a comissão executiva e o maior acionista da TAP, o Estado português".

O Ministério liderado por Pedro Nuno Santos manifestou-se contra esta prática, criticando ainda a circunstância da gestão da empresa ter avançado com o pagamento sem informar o conselho de administração, onde o Estado tem seis elementos, o qual só tomou conhecimento da mesma através da comunicação social.

O Ministério "discorda da política de atribuição de prémios, num ano de prejuízos, a um grupo restrito de trabalhadores e sem ter sido dado conhecimento prévio ao conselho de administração da TAP da atribuição dos prémios e dos critérios subjacentes a essa atribuição, não se revendo na conduta da comissão executiva que agiu em desrespeito dos deveres de colaboração institucional que lhe são conferidos", lê-se no mesmo comunicado.

À hora de fecho da edição decorria a reunião extraordinária do conselho de administração convocada pelos representantes do Estado para debater este assunto.

O novo modelo de pagamento de prémios foi implementado pela comissão executiva em 2017, baseando-se em três critérios: os resultados da empresa, a prestação de cada área e o desempenho individual. O ano passado foi o primeiro em que foram entregues prémios.

A comissão executiva da TAP liderada por Antonoaldo Neves, que agora se encontra em xeque, foi alterando a sua atitude perante esta questão. Numa primeira fase começou por dizer, apenas, que a TAP não comentava "a sua política de mérito". Posteriormente, já depois do Negócios ter avançado na edição de ontem a marcação de um conselho de administração extraordinário, Antonoaldo Neves enviou uma mensagem a todos os trabalhadores, na qual afirmou ter "absoluta convicção de que o programa de mérito foi fundamental para promover as medidas de redução de custos e de aumento de receitas implementadas em 2018".

Mais tarde, o CEO da TAP afirmou aos jornalistas, à margem de um evento no Aeroporto de Cascais, em Tires, que "o plano de prémios poderia até ter sido maior se a empresa tivesse gerado lucro e não tem nada de errado com isso". Horas depois, no Parlamento, António Costa, comentou também o assunto: estes prémios "incompatíveis com os padrões de sobriedade que se devem exigir" a empresas que estão na esfera do Estado.

A polémica ocorre num momento em que a TAP tem em curso uma oferta pública de subscrição de obrigações, através da qual pretende arrecadar 50 milhões de euros. A operação termina no dia 18 de junho e a empresa oferece um juro de 4,375%, sendo que pelo caminho a empresa poderá aumentar o valor da subscrição, caso a procura o justifique. 

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