Lucro do grupo Roca caiu 76,5% para 42 milhões de euros em 2022
Faturação do grupo aumentou 1,9% para 2.092 milhões de euros, apesar da diminuição dos níveis de procura, atribuída ao aumento do custo da energia, à escalada da inflação e ainda ao efeito negativo do desinvestimento na Rússia.
O grupo Roca fechou o ano passado com um lucro líquido de 42 milhões de euros, refletindo uma quebra de 76,5% face ao recorde de 179 milhões de euros alcançado em 2021.
Segundo os dados constantes dos relatórios anuais, trata-se do valor mais baixo da década, ou seja, desde 2012, ano em que o grupo registou prejuízos na ordem dos 31 milhões de euros.
Em comunicado, enviado esta terça-feira às redações, o grupo de "design", produção e comercialização de produtos para espaços de banho destaca, porém, que a faturação aumentou 1,9% face a 2021, "apesar da diminuição dos níveis de procura, o que se deveu, em grande medida, ao aumento do custo da energia, à escalada da inflação a nível mundial e, por outro lado, ao efeito negativo do desinvestimento na Rússia".
Já o EBITDA (resultados antes de impostos, amortizações e depreciações) situou-se nos 356 milhões, o que equivale a 17% do volume de negócios.
Olhando para a evolução das vendas, o grupo sinaliza os aumentos "significativos" obtidos no Brasil, Índia, China e, também, em Espanha, "que mantém um crescimento sustentado desde 2014, sem ter em consideração as consequências da pandemia no ano de 2020".
"Num ano tão complicado como o atual, os nossos profissionais fizeram valer a sua participação e o seu esforço, dando continuidade ao crescimento da empresa", afirmou o CEO do grupo, Albert Magrans, citado na mesma nota, em que realça ainda a "solidez financeira do grupo". "O património líquido ascendeu a 1.707 milhões de euros, o que reflete a solidez financeira do grupo, que baseia o seu crescimento no autofinanciamento através do reinvestimento de lucros", sublinha.
O grupo dá ainda conta do "esforço" de investimento que subiu de 124 milhões para 135 milhões em 2022 e que foi destinado principalmente a "projetos de ampliação e melhoria da capacidade produtiva das fábricas do Brasil e da Índia; uma nova fábrica de bases de duche em resina e banheiras em compósito, na Polónia; ampliação do negócio de móveis para espaços de banho, em Espanha e Portugal; e investimentos em descarbonização, circularidade e sensorização que garantem o desenvolvimento de todos os centros de produção, no que respeita a digitalização, sustentabilidade e uso eficiente dos recursos".
O grupo, de origem familiar, está presente desde 1972 em Portugal, onde possui oito centros de produção, dos quais fábricas de louça, torneiras, móveis e banheiras, e emprega cerca de 2.000 colaboradores.
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