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Portugueses estão a consumir mais no segundo desconfinamento

Uma análise da Reduniq ao impacto do desconfinamento no consumo revela que os negócios portugueses estão a faturar mais na segunda volta da reabertura da economia, apesar de os níveis de consumo ainda estarem abaixo dos registados antes da pandemia.

Mariline Alves
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 16 de Abril de 2021 às 13:00
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O desconfinamento "a conta gotas" deu um impulso aos negócios portugueses. O consumo continua aquém dos níveis registados antes da crise pandémica, mas está acima dos valores do primeiro desconfinamento. A faturação de março cresceu quatro pontos percentuais face ao mês anterior, apesar de se manter 8% abaixo da média registada em 2019, no que toca ao consumo nacional. Contabilizando também o consumo estrangeiro, que ainda é praticamente inexistente face às restrições, o valor total da faturação dos negócios nacionais ficou em março 20% abaixo de 2019. No entanto, a comparação por setores de atividade mostra que em março e abril "o consumo está substantivamente melhor em 2021 do que estava em maio de 2020". 


As conclusões são de uma análise da Reduniq, a marca da Unicre para a área de aceitação de pagamentos, sobre o impacto do desconfinamento no consumo dos portugueses. Além da comparação homóloga, a empresa comparou a realidade de 2021 com a de 2019, pré pandemia, e com o desconfinamento de 2020, que ocorreu a partir de maio. Esta última análise revela que os portugueses estão a consumir mais na "segunda volta".


Apesar do aumento da faturação dos negócios em março, que reflete o processo de desconfinamento que arrancou no dia 15, o ticket médio total de cada compra registou em março o valor mais baixo desde o início da pandemia, situando-se nos 32 euros entre 15 de março e 04 de abril. O montante mais alto gasto em cada compra foi registado no primeiro confinamento, entre março e maio do ano passado, quanto o ticket médio ultrapassou os 39 euros. No arranque do desconfinamento do ano passado, o gasto médio por compra rondava os 34,6 euros.


Citado no estudo, o diretor da Reduniq, Tiago Oom, sugere que o valor mais baixo em cada compra pode refletir, por um lado, uma "maior preocupação das famílias em poupar, face às dificuldades financeiras que podem vir a enfrentar", mas também "uma redução do poder de compra, sobretudo das classes mais baixas da sociedade". Por outro, estará ainda ligado à "retoma à normalidade no momento de consumo em que deixamos de sentir necessidade de fazer compras tão avultadas pelo receio de fim de stock ou por receio de contágio nos estabelecimentos".

A análise à evolução do consumo em termos homólogos por setores mostra que os cabeleireiros registaram uma subida da faturação de 1781% entre 15 de março e 04 de abril, face ao mesmo período do ano passado, em que estiveram encerrados. Os gastos com saúde subiram 581%. O desconfinamento também já teve impacto na moda e na restauração, que registaram aumentos homólogos de 339% e 172%, respetivamente.

Já a comparação por períodos de desconfinamento revela uma maior propensão para o consumo na reabertura de 2021. "Praticamente todas as categorias de negócio aumentaram a sua faturação neste novo desconfinamento em relação ao desconfinamento anterior", destaca a análise. Por exemplo, a faturação da hotelaria e atividades turísticas aumentou 181% na primeira semana do desconfinamento, a 15 de março, face à primeira semana de maio do ano passado.

"Apesar dos valores absolutos ainda muito baixos da hotelaria, este segundo desconfinamento demonstra sinais positivos na retoma do setor, sobretudo pela confiança do impacto do processo de vacinação na retoma do consumo turístico", ressalva Tiago Oom.

No que toca ao retalho alimentar, o estudo revela que ao contrário do que aconteceu no ano passado, não registou um aumento da faturação no segundo confinamento, tendo apenas assinalado um pico de faturação já em abril, no fim de semana da Páscoa. Nota-se ainda, um aumento da preferência dos consumidores pelo retalho tradicional em detrimento dos súper e hipermercados.

O estudo nota, por fim, que a tecnologia contactless continua a sua trajetória de crescimento, tendo representado em março de 2021 cerca de 42% dos pagamentos registados na rede de aceitação Reduniq. O valor contrasta com os 4% verificados em janeiro de 2019 e com os 10% de janeiro do ano passado.

 

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