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TAP fecha 2021 com prejuízos de 1.600 milhões de euros

Os números reportados pela empresa foram negativamente afetados pelos custos associados ao plano de reestruturação, que superaram os 1.000 milhões de euros.

O plano de reestruturação da companhia aérea foi aprovado esta terça-feira pela Comissão Europeia.
Miguel Baltazar
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 11 de Abril de 2022 às 07:28
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A TAP encerrou o último ano com prejuízos de 1.599,1 milhões de euros, um valor recorde e que supera os 1.230 milhões negativos registados no ano da pandemia, segundo avançou a empresa em comunicado.

De acordo com o comunicado divulgado esta manhã pela companhia aérea à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o resultado líquido foi penalizado pelo encerramento das operações de manutenção no Brasil, no quarto trimestre. "Também na sequência da aprovação do Plano de Reestruturação e reorganização da TAP SGPS, a TAP registou custos não recorrentes de EUR 1.024,9 milhões com impacto nos resultados", indica a empresa.

Além dos custos recorrentes, a companhia aérea cita ainda o impacto negativo das diferenças cambiais, no valor de 175,5 milhões de euros, motivado pela queda do euro face ao dólar e pela descida do real face ao euro. Já as operações de cobertura de jet fuel (jet fuel hedging) tiveram um impacto positivo de 8,7 milhões de euros.

Apesar do agravamento dos resultados, a companhia viu as receitas operacionais aumentarem 31% face a 2020 para 1.388,5 milhões de euros, um crescimento que foi sustentado pelo aumento das receitas de passageiros (218,8 milhões de euros) e pelo crescimento das receitas de carga e correio, que dispararam 88% para 110,5 milhões de euros.

A TAP refere ainda que o EBIT recorrente teve uma evolução positiva de 380,4 milhões de euros em 2021, para -478 milhões de euros, com um EBITDA recorrente de 11,7 milhões de euros.

Depois de um ano de pandemia, 2021 ficou marcado pelo alívio das restrições, uma evolução positiva que permitiu à companhia assistir a um crescimento de 25,1% do número de passageiros, para 5,83 milhões de euros, segundo adianta o mesmo comunicado.

"Em linha com a recuperação do número de passageiros, também as receitas de passageiros da TAP aumentaram 25,8% em 2021, acima do crescimento global das receitas de passageiros previsto pela indústria de 20,1% (de acordo com a IATA)", acrescenta.

Quanto aos custos operacionais, estes atingiram 1.866,5 milhões de euros, em 2021, o que representa uma diminuição de 2,7% face a 2020, "dado que a maioria das rubricas de custos operacionais recorrentes aumentaram a um ritmo mais lento do que as receitas operacionais, começando a refletir as medidas de reestruturação implementadas pela empresa, nomeadamente os custos com pessoal (-46,3 milhões de euros e -11% face a 2020), custos de manutenção de aeronaves (-5 milhões e -20,5% face a 2020) e custo dos materiais consumidos (-10,1 milhões e -25,1% face a 2020)".

De acordo com a companhia aérea, esta poupança de custos com pessoal já reflete as saídas de 1.480 colaboradores ao longo do ano, assim como os cortes salariais que começaram a ser implementados em março de 2021.

Os custos com combustível para aeronaves registaram o aumento mais significativo, ao crescerem 30,7% para 340,5 milhões de euros, num ano marcado pela subida dos preços do petróleo.

Em termos de liquidez, a empresa adianta que, "tal como no ano anterior, 2021 foi igualmente desafiante, pelo que a TAP continuou a concentrar-se nas suas medidas de proteção de liquidez, beneficiando dos aumentos de capital de maio e dezembro de 2021 de 462 milhões de euros e 536 milhões de euros, respetivamente (no contexto da Compensação de Danos da COVID-19 e do Auxílio à Reestruturação)". Estes aumentos de capital permitiram à TAP fechar 2021 com 812,6 milhões de euros em caixa, mais 57% do que no início do ano.
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