Energia Dos medicamentos à recolha de lixo: os setores que estão a ser afetados com falta de combustível

Dos medicamentos à recolha de lixo: os setores que estão a ser afetados com falta de combustível

Há vários setores a alertar para os impactos que podem ter com a falta de combustíveis.
Dos medicamentos à recolha de lixo: os setores que estão a ser afetados com falta de combustível
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios com Lusa 17 de abril de 2019 às 22:01

Transportes condicionados

São já vários os operadores de transporte público a anunciarem supressões de serviços e a alertar para o risco de perturbações devido à falta de combustível. Barraqueiro, TST, Rodoviária do Tejo, Rodoviária do Alentejo e Transdev indicaram supressões e a CP admitiu o risco de perturbações nas operações. Também os taxistas exigem soluções.

 

Turismo preocupado

O setor do turismo manifestou já grande preocupação com o impacto da greve. Em plena época da Páscoa, os agentes e as entidades temem que se registem cancelamentos de reservas ou de viagens, bem como dificuldades no abastecimento de alimentos. Outro impacto ligado ao turismo é com os rent-a-cars. A Associação dos Industriais de Automóveis de Aluguer sem Condutor afirmou à Lusa que a greve dos motoristas de matérias perigosas está a afetar o setor, sendo uma situação muito preocupante que prejudica a imagem do rent-a-car e turismo. O secretário-geral da ARAC, Joaquim Robalo, indicou que "há empresas que já começaram a cancelar alugueres" e destacou "a grande preocupação" quer com os prejuízos diretos quer com os prejuízos ao nível da imagem que se passa para o exterior.

Hotéis e restaurantes com dificuldades
A AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal admite que alguns dos seus associados estão a enfrentar "dificuldades" em assegurar o abastecimento de produtos essenciais devido à greve dos motoristas de matérias perigosas. "A AHRESP acompanha com muita apreensão esta greve, na medida em que representa uma ameaça séria à atividade turística num período particularmente sensível que é o da Páscoa", afirmou o vice-presidente da AHRESP, Joaquim Ribeiro, numa declaração escrita à agência Lusa.

Distribuição alimentar normal
As operações normais das empresas de distribuição estão, de acordo com Gonçalo Lobo Xavier, "segundo as indicações que temos até ao momento", a decorrer "com normalidade". A APED tem contactado o Governo, sensibilizando-o para a necessidade de resolver rapidamente a situação, que poderá causar perturbações no fornecimento dos estabelecimentos retalhistas caso se prolongue. Na região Norte, acrescentou, existem relatos de alguns incidentes com piquetes que tentam impedir que os camiões com combustíveis abasteçam os postos das grandes superfícies. Estas empresas estão, ainda assim, a ter problemas no fornecimento de combustíveis. A greve dos motoristas de matérias perigosas está a causar "perturbações na distribuição de combustíveis" junto das empresas de retalho, referiu Gonçalo Lobo Xavier. Num encontro com jornalistas, o responsável indicou que "a maioria dos postos das grandes superfícies estão praticamente fechados".

Indústria já sofre

O setor industrial refere, nalguns casos, já estar a sentir os efeitos da paralisação. A Mitsubishi já admitiu que poderá encerrar temporariamente a fábrica em Mangualde. A Sumol+Compal interrompeu a produção em Almeirim e a ANIVEC/APIV - Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção refere que o efeito está a ser catastrófico.
Os industriais de alimentos para animais afirmaram também que explorações pecuárias podem ficar sem rações na quinta-feira, se não for resolvida a crise dos combustíveis. A Associação dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA) "prevê rutura de fornecimento às explorações pecuárias nacionais, caso não seja resolvida a crise dos combustíveis, e interpela o primeiro-ministro, António Costa, a solucionar a situação com a maior brevidade possível", segundo um comunicado enviado à agência Lusa. 
 

Farmacêuticas pedem serviços mínimos
A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica solicitou ao Governo que a "distribuição de medicamentos a hospitais e farmácias seja incluída nos serviços mínimos". "Esta situação torna--se premente, sob pena de ser criada uma grave situação de saúde pública com a falta de medicamentos nos hospitais e farmácias durante o período de greve", lê-se no comunicado. Já os distribuidores de medicamentos decidiram suprimir, nalguns casos, a segunda e a terceira entrega diária de medicamentos nas farmácias. Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Distribuidores Farmacêuticos (Adifa), Diogo Gouveia, disse que a "medida de racionalização" visa as empresas gerirem melhor as reservas ainda disponíveis. 


Recolha do lixo
Há já alertas para a possibilidade de ter de se interromper a recolha de lixo. Um dos alertas foi dado pelas câmaras do grande Porto. Essa ameaça torna-se real se a falta de combustível persistir na quinta-feira, disse à agência Lusa o administrador-delegado da Lipor, Fernando Leite. "É preocupante a situação nas oitos câmaras quanto às frotas de recolha de resíduos", sublinhou Fernando Leite, de um serviço prestado por "cerca de 250 viaturas pesadas". Já a Associação das Empresas Portuguesas para o Setor do Ambiente (AEPSA) alertou para "as graves consequências" da greve, sobretudo na recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos. "Salienta-se que as empresas associadas da AEPSA estão presentes em todo o território nacional, do interior ao litoral, e que, não obstante terem sido ativados atempadamente os procedimentos preventivos de atuação das equipas operacionais, estes mecanismos não são já suficientes e bastantes para assegurar o bom cumprimento das suas obrigações contratuais de recolha, tratamento e valorização dos resíduos", avisa. Para a associação, este contexto "pode trazer graves consequências a nível de gestão operacional de recolha de resíduos sólidos urbanos - por manifesta insuficiência de combustível capaz de responder aos meios operacionais e técnicos - mas não só: a AEPSA está particularmente preocupada com as implicações que esta situação pode trazer ao nível da saúde pública".

Distribuição de jornais

A distribuição de jornais poderá estar comprometida já na próxima sexta-feita. A VASP, que distribui a maioria dos títulos do país, admite que os postos de Albergaria, Coimbra, Viseu e Leiria fiquem já a partir de amanhã sem combustível para fazer a distribuição dos jornais. Poderá apenas haver distribuição nos concelhos que fazem fronteira com Espanha, onde os carros estão neste momento a ser abastecidos.Paulo Proença, diretor geral de VASP, admitiu que se a situação não for rapidamente desbloqueada a partir de sábado Lisboa e Porto também poderão não ter distribuição de jornais.




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