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Elliott quer votação na AG da EDP que pode matar OPA dos chineses  

O investidor ativista quer clarificar o futuro da EDP e ver já respondida uma das condições de sucesso da OPA da China Three Gorges.

Bloomberg
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 28 de Março de 2019 às 08:41
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O fundo Elliott, liderado por Paul Singer (na foto), solicitou a inclusão de um novo ponto na ordem de trabalhos da assembleia geral (AG) da EDP de 24 de abril que pode ser determinante para o futuro da oferta pública de aquisição lançada pelos chineses da China Three Gorges.

Este investidor, que controla mais de 2% do capital da EDP, pretende que os acionistas deliberem sobre a desblindagem dos estatutos da elétrica nacional.

Como esta subida do limite dos direitos de voto é uma das condições imposta pelos chineses da China Three Gorges para a oferta pública de aquisição (OPA) avançar, o Elliott pretende assim transformar a AG da EDP numa reunião que pode ser decisiva para o desfecho da operação.

Se a proposta de aumento do teto do direitos de voto dos atuais 25% não obtiver "uma maioria qualificada de dois terços dos acionistas presentes na Assembleia Geral Anual de 24 de abril de 2019, o limite de voto permanecerá em vigor" o que permite "o fim imediato da oferta na sua forma atual", diz o comunicado da Elliott, que sempre se mostrou contra a OPA dos chineses.   

No comunicado o Elliott reitera esta oposição e adianta que irá votar contra a desblindagem dos estatutos. "Ao requerer esta votação, a Elliott esclarece que pretende votar contra a alteração e recomenda que todos os demais acionistas façam o mesmo".

"Acabar com a incerteza"

Acrescenta que a rejeição desta subida do limite dos direitos de voto da EDP "não só determinará o fim da OPA nos seus moldes atuais, como providencia à empresa a visibilidade necessária para planear o seu futuro".


Ao longo do comunicado, o Elliott esclarece por diversas ocasiões as razões que motivaram este pedido de votação na AG de 24 de abril. Entende que vai, "acabar com a incerteza" e "clarificar a atual situação da EDP face à OPA, resolvendo assim o impasse e providenciando à EDP um caminho".

 

"Desde o seu ínicio, há mais de dez meses, a oferta da CTG tem estado parada, tendo o efeito prático de dificultar o progresso da EDP em diversas frentes. A proposta de deliberação da Elliott oferece uma oportunidade a todos os acionistas – incluindo a CTG – de ajudar a resolver o impasse atual. Uma votação permitiria aos acionistas da EDP pôr fim à incerteza causada pela Oferta da CTG, o que, por sua vez, permitiria à administração da EDP prosseguir uma estratégia de otimização e investimento do portfólio mais ambiciosa",  assinala o fundo.

Ressalvando que a CTG pode sempre deixar cair a desblindagem de estatutos como condição de sucesso da OPA, o Elliott assinala que "continua a respeitar plenamente a posição da CTG como maior acionista da EDP e, em qualquer cenário futuro, a Elliott reconhece que a CTG terá um papel importante a desempenhar no desenho do futuro da EDP".

 

Para prosseguir uma estratégia e um plano mais ambicioso para o futuro, a EDP necessita de ultrapassar a forte incerteza criada pela Oferta da CTG. Existe hoje um claro consenso entre os stakeholders: a Oferta da CTG na sua forma atual não é do interesse da EDP. O preço da oferta fica muito aquém do que seria necessário para obter o apoio dos acionistas. fundo Elliott, em comunicado

Plano da EDP é "primeiro passo na direção certa"

Quando em fevereiro o Elliott apresentou uma série de medidas que a EDP deveria tomar, este fundo "abutre" arrasou a OPA da CTG, criticando a venda dos ativos que a oferta iria implicar, principalmente nos EUA, o que deixaria a "EDP mais fraca, mais volátil" e com "uma carteira de ativos menos atraente e com menos oportunidades de crescimento".

Este fundo, que tem como rosto o conhecido investidor ativista Paul Singer, diz agora que o seu plano recebeu respostas encorajadoras por parte de diversos "stakeholders".

"Desde que apresentou no mês passado as suas considerações sobre como a EDP deve investir no seu crescimento e otimizar o seu portfólio para gerar um valor superior, a Elliott tem sido encorajada pela resposta construtiva recebida de um conjunto diversificado de stakeholders", refere o comunicado.

Já este mês a EDP apresentou em Londres a atualização do seu plano estratégico. O Elliott diz que este plano revelado pela gestão da EDP representa um "primeiro passo na direção certa", embora assinala que será necessário "uma aceleração mais forte da otimização do portfolio de ativos, por forma a providenciar um crescimento superior e criação de valor sustentável".

 

O plano da EDP prevê uma aposta forte nas energias renováveis, com um investimento de 2,9 mil milhões de euros por ano e a venda de ativos em 6 mil milhões de euros.

(notícia atualizada às 9:39)

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