Energia "Nova Abengoa" precisa de 1.655 milhões para sair do papel

"Nova Abengoa" precisa de 1.655 milhões para sair do papel

O plano que está a ser negociado pela empresa espanhola com os credores já é conhecido. Contempla venda de activos, redução de custos operacionais, mas precisa de quase 1,7 mil milhões nos próximos dois anos.
"Nova Abengoa" precisa de 1.655 milhões para sair do papel
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 17 de fevereiro de 2016 às 12:37

A empresa espanhola de engenharia e energia Abengoa, a braços com problemas de liquidez e em processo de renegociação da dívida, propôs aos credores reduzir a exposição ao negócio de concessões, aumentar os serviços de engenharia e construção a terceiros e ser menos intensiva em capital para viabilizar a empresa.


Este eixos fazem parte do plano de viabilidade industrial dado a conhecer esta terça-feira ao final do dia e que pretende criar uma "Nova Abengoa", resolvendo a actual situação de pré-insolvência em que a companhia se encontra. A empresa quer primeiro concentrar-se nos projectos com maior rentabilidade e redimensionar custos, vendendo activos não estratégicos e preparando caminho a um programa de reestruturação financeira que ainda não foi definido.


O cenário escolhido entre os três que foram estudados coloca o valor da empresa nos 5.395 milhões de euros, sete vezes mais do que o valor estimado para uma possível liquidação.


De acordo com o plano, a venda de activos "não-core" deverá ser concluída no último trimestre do ano e permitir encaixar 473 milhões de euros até 2017. Está ainda previsto equilibrar a participação futura em concessões, condicionada à disponibilidade de fontes de financiamento e à existência de "parceiros fortes".


As necessidades financeiras para este ano e para o próximo estimam-se em 1.130 milhões de euros, a que se juntam mais 525 milhões de euros a aplicar este ano em garantias. No total, 1.655 milhões de euros de dinheiro fresco. Já a saída de projectos que exigem maior músculo financeiro terá uma redução de custos esperada de 2.095 milhões de euros nos próximos dois anos.


No novo modelo industrial, a proposta vê a carteira de encomendas da empresa a cair fortemente este ano para depois crescer até aos 2.500 milhões de euros em 2020, altura em que o cash-flow deve atingir cerca de 700 milhões de euros.


O plano aponta contudo a riscos, como a possibilidade de os custos de saída de projectos serem mais elevados, o atraso ou cancelamento de projectos, ou a dificuldade na redução de endividamento por falta de financiamento imediato. O atraso na resolução da situação de pré-insolvência em que se encontra também pode atrasar a venda de activos e diminuir o apetite dos investidores, lê-se no documento.

Os títulos da Abengoa disparam 8,2% em Madrid, às 12:10, para os 0,66 euros por acção. 




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