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Portugal tem de encher reservas de gás a 70% até fevereiro e 80% até julho

Adotado em junho passado, o Regulamento de Armazenamento de Gás prevê que as instalações de armazenamento subterrâneo de gás no território dos Estados-membros estejam a pelo menos 80% da sua capacidade este inverno e a 90% na estação fria do próximo ano.

A REN tem um contrato assinado com o Governo para a concessão da atividade de transporte de gás natural.
Luís Guerreiro
Lusa 24 de Novembro de 2022 às 14:12
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A Comissão Europeia estabeleceu esta quinta-feira objetivos intermédios de armazenamento de gás para garantir 90% de preenchimento em novembro de 2023, pedindo que Portugal cumpra metas de 70% em fevereiro e de 80% em julho, para evitar ruturas.

"A Comissão estabeleceu hoje os objetivos intermédios de enchimento de armazenamento de gás que os Estados-membros devem cumprir no próximo ano, a fim de atingir o objetivo de 90% de armazenamento de gás até 01 de novembro de 2023. Previsto ao abrigo do Regulamento de Armazenamento de Gás, acordado em junho de 2022, o regulamento de execução de hoje define os objetivos intermédios para 01 de fevereiro, maio, julho e setembro de 2023 para os países com armazenamento subterrâneo no seu território e ligados à sua área de mercado", anuncia a instituição em comunicado.

No que toca a Portugal, as trajetórias com objetivos de armazenamento de gás para 2023 traduzem-se em metas de 70% para 01 de fevereiro e 01 de maio e de 80% para 01 de julho e 01 de setembro, segundo a informação consultada pela agência Lusa.

Bruxelas justifica na informação à imprensa que os objetivos hoje divulgados se baseiam "nas propostas apresentadas pelos Estados-membros nos seus planos de armazenamento, apresentadas em setembro, nas taxas de preenchimento dos cinco anos anteriores e na avaliação da Comissão sobre a situação geral de segurança do aprovisionamento".

Adotado em junho passado, o Regulamento de Armazenamento de Gás prevê que as instalações de armazenamento subterrâneo de gás no território dos Estados-membros estejam a pelo menos 80% da sua capacidade este inverno e a 90% na estação fria do próximo ano.

Dados hoje consultados pela Lusa indicam que, em média na UE, os 18 entre os 27 países com instalações subterrâneas têm o armazenamento a cerca de 95%, sendo que Portugal está acima da média comunitária, com 98% de preenchimento.

Numa altura de tensões geopolíticas causadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que é um grande fornecedor de gás à UE, o armazenamento subterrâneo no espaço comunitário é fundamental para a segurança do aprovisionamento, uma vez que funciona como reserva adicional em caso de forte procura ou perturbações do aprovisionamento.

O armazenamento fornece entre 25% a 30% do gás consumido na UE durante o inverno e reduz a necessidade de importar gás adicional e contribui para absorver choques de abastecimento.

Os objetivos intermédios hoje fixados foram também avaliados pelo Grupo de Coordenação do Gás, que atua como conselheiro da Comissão, e pelo Comité de Armazenamento de Gás, e estão sujeitos a uma margem de cinco pontos percentuais, funcionando como limiares mínimos que devem ser respeitados pelos Estados-membros.

Se isso não acontecer, a Comissão Europeia pode tomar medidas eficazes para evitar problemas de segurança do aprovisionamento de gás resultantes de instalações de armazenamento não cheias.

Citada pela informação, a comissária europeia da Energia, Kadri Simson, vinca ser "fundamental preparar já o inverno do próximo ano" para, assim, "minimizar o impacto das manipulações russas e possíveis aumentos na procura devido às condições meteorológicas ou do mercado global".

"Estabelecer agora uma trajetória para 2023 proporciona aos operadores do mercado a certeza necessária e ajuda a UE a passar com segurança o inverno do próximo ano", adianta Kadri Simson.

As tensões geopolíticas devido à guerra na Ucrânia têm afetado o mercado energético europeu porque a UE ainda depende dos combustíveis fósseis russos como o gás (apesar de ter reduzido as importações por gasoduto de 40% para menos de 10%), temendo cortes e perturbações no fornecimento este inverno.


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