Banco Mundial prepara emissão de dívida com tecnologia das criptomoedas

O Banco Mundial mandatou o banco central australiano no sentido de preparar a primeira emissão de obrigações com recurso à tecnologia blockchain.
Bloomberg
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Carla Pedro 10 de agosto de 2018 às 18:00

Será a primeira vez que se utiliza a tecnologia blockchain – usada nas criptomoedas, como a bitcoin – para preparar uma emissão de dívida. E foi essa a missão atribuída pelo Banco Mundial à autoridade monetária australiana.

Mas o que é a blockchain? Numa tradução literal, é uma ‘corrente de blocos’ que é actualizada sempre que se realiza uma nova transacção – e todos os sistemas ligados à rede têm acesso a essa rede, de forma a validar um item e impedir que ele seja vendido duas ou mais vezes. Esta tecnologia é, em suma, um sistema que permite a acumulação descentralizada de um activo, com uma série de chaves de segurança, registando de forma segura todas as transacções feitas nessa "corrente".

Esta "obrigação canguru" [kangoroo bond é o nome que se dá às obrigações estrangeiras emitidas na Austrália em moeda local] vai chamar-se bond-i, um acrónimo para Blockchain Offered New Debt Instrument, explica a CNBC. É também uma referência à Bondi Beach, uma praia icónica de Sidney.

Segundo o Banco Mundial, estas obrigações serão as primeiras, em todo o mundo, a serem criadas, alocadas, transferidas e geridas com tecnologia blockchain.

"A blockchain tem potencial para optimizar os processos junto de inúmeros agentes e intermediários do mercado da dívida. Isso pode ajudar a simplificar os aumentos de capital e a transacção de activos; a melhorar as eficiências operacionais; e a aprimorar a supervisão regulatória", destacam num comunicado conjunto as duas entidades envolvidas.

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Quando estas obrigações forem lançadas, serão emitidas e distribuídas em simultâneo numa plataforma de blockchain operada pelo Banco Mundial e pelo Banco da Austrália, referiram, citadas pela CNBC.

Será, pois, a primeira obrigação exclusivamente criada e gerida numa blockchain global distribuída, que neste caso será a Ethereum, adianta a CNN.

A Ethereum, sublinhe-se, é uma plataforma descentralizada capaz de executar contratos inteligentes e aplicações descentralizadas usando a tecnologia blockchain.

Está já a ser usada neste projecto uma blockchain privada baseada na Ehtereum, uma vez que possui as necessárias capacidades para tal, mas o banco central australiano está aberto a outras opções no futuro.

Mais especificamente, o Banco Mundial vai usar a plataforma de computação na nuvem Azure, da Microsoft, para gerir a obrigação a partir da sua sede, em Washington.

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