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"Temos de provar que o Governo consegue estar à frente", diz secretário da Digitalização

Bernardo Correia admite que há demasiada burocracia, mas que o Governo está a tratar de simplificar os processos, mesmo que isso demore algum tempo. Executivo tem de dar o exemplo, tentando posicionar-se à frente dos privados na inovação.

Bernardo Correia Google
Bernardo Correia Google Mariline Alves
21:14

O secretário de Estado da Digitalização assumiu o cargo há pouco mais de sete meses, mas é um dos maiores defensores dos avanços tecnológicos e da utilização da mesma, ou não tivesse Bernado Correia vindo da Google. Em 10 anos fora, o governante diz que a população portuguesa tem razões para estar otimista pelas criações que surgem no país, mas que os avanços não podem estar apenas do lado privado e que o Governo tem de desbloquear capacidades. 

Regressando à semana de Davos, Bernardo Correia diz, no evento da ULisboa, que "devíamos ser mais entusiastas do nosso sucesso", seguindo o exemplo dos americanos, mas que o papel dos governos está em "apoiar e criar as condições certas" para que tal aconteça. "Em Portugal sofremos do caso da burocracia. Fomos adicionando demasiada 'red tape'. A nossa obrigação é reduzir e libertar criatividade e espírito de inovação", afirma. 

Por isso, justifica, é que o Executivo está a adotar a estratégia de simplificar e digitalizar, tornando algumas burocracias mais fáceis. "Enquanto Governo, criámos uma bússola com a Estratégia Digital Nacional para os próximos anos. Este é um plano simples: digitalizar a 100% os serviços do Governo", pedindo ajuda a algumas empresas.

Ainda assim, e admitindo que o Executivo não está sozinho nesta caminhada da digitalização, Bernardo Correia admitiu que o Governo tem de ser um exemplo. "Precisamos que o Governo dê o exemplo. Claro que muitas inovações chegam do setor privado, mas precisamos de reverter essa situação. Precisamos que o Governo prove que consegue fazer mais com os dados e recursos que tem, de forma a prestar o melhor serviço para todos", considera.

O objetivo é, segundo o próprio, atingir serviços públicos de "classe mundial" através da digitalização. Por isso mesmo usou o mais recente anúncio da chegada da Carteira Digital da Empresa, que já soma "quase três mil adesões em quatro dias". "Superou em muito as expectativas, mas queremos ir além e permitir outras funcionalidades. Queremos que as empresas tenham acesso à concursos, à contratação pública e a tantos outros serviços", explica. 

Para Bernardo Correia, a regulação também se pode posicionar como um entrave à inovação. "Como fazemos um ecossistema com regras que permita que as startups tragam a inovação? Atualmente há demasiadas barreiras", assente, indicando que é preciso tornar as burocracias mais simples, para que mais ideias consigam florescer em Portugal, e também à escala europeia.

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