Microsoft "ressuscita" receios em torno da IA. Wall Street fecha mista
Os principais índices dos EUA terminaram a sessão com perdas, à exceção do Dow Jones. Os resultados apresentados pela Microsoft, que caiu 10%, pesaram sobre os investidores, reacendendo preocupações sobre o retorno dos avultados investimentos no desenvolvimento da IA. Agora, o foco do mercado passa para as contas da Apple.
Os principais índices norte-americanos foram abalados na sessão desta quinta-feira, com os resultados apresentados pela Microsoft a pesar particularmente sobre o sentimento dos investidores, reacendendo preocupações sobre o retorno dos avultados investimentos que estas cotadas têm feito no desenvolvimento da IA. Ainda assim, os índices conseguiram reduzir as fortes perdas que vinham a registar ao longo da sessão e fecharam entre ganhos e perdas.
O “benchmark” S&P 500 caiu 0,13%, para os 6.969,01 pontos. Já o Nasdaq Composite recuou 0,72%, para os 23.685,12 pontos, tendo conseguido reduzir as perdas depois de ter estado a registar uma queda de cerca de 2% durante a tarde. O Dow Jones, por sua vez, avançou 0,11% para os 49.071,56 pontos.
“A aposta unilateral na liderança da IA está agora a começar a parecer sobrelotada”, disse à Bloomberg Fawad Razaqzada, da Forex.com. “Existe agora algum receio a surgir nas mentes dos investidores de que o tema da IA possa não ser tão lucrativo [a tão curto prazo] como se esperava”, acrescentou o especialista. Ainda assim, sublinha, nem tudo está perdido. O facto de o Nasdaq estar a recuar de níveis elevados é um sinal claro de que “é muito cedo para falar sobre o pico das tecnológicas”, disse Razaqzada.
Nesta linha, os investidores reagiram na sessão desta quinta-feira, 29 de janeiro, às contas apresentadas por três das Sete Magníficas, divulgadas após o fecho das negociações na quarta-feira. Nesta linha, a Meta divulgou que investirá até 135 mil milhões este ano, bem acima das estimativas que apontavam para investimentos na ordem dos 110 mil milhões. As ações da dona do Facebook pularam mais de 10% após a empresa liderada por Mark Zuckerberg ter apresentado uma previsão de vendas acima do esperado. A Microsoft, por outro lado, afundou cerca de 10%, após ter reportado que os gastos aumentaram para um nível recorde, devido aos esforços para expandir a presença nas infraestruturas para IA. A Tesla, por sua vez, desvalorizou mais de 3%, depois de ontem ter divulgado uma queda homóloga de 26% nos lucros.
Embora se espere que o crescimento dos lucros das “Sete Magníficas” continue a superar o das restantes ações do S&P 500 em cada trimestre de 2026, a diferença deverá diminuir ao longo do ano, notaram analistas citados pela agência de notícias financeiras.
Agora, o foco do mercado passa para os resultados da Apple, que divulga contas após o fecho das negociações de hoje.
Os investidores também estiveram atentos à divulgação de dados económicos esta tarde. O défice comercial dos EUA aumentou acentuadamente para 56,8 mil milhões de dólares em novembro de 2025, atingindo máximos de quatro meses. No mercado laboral, os pedidos iniciais de subsídio de desemprego diminuíram ligeiramente em mil pedidos, para um total de 209 mil na semana terminada a 24 de janeiro.
E no dia seguinte à decisão da Reserva Federal (Fed) de manter as taxas diretoras inalteradas, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse que iria anunciar o sucessor de Jerome Powell, presidente do banco central que termina o mandato em maio, “na próxima semana”.
Quanto às restantes "big tech”, a Nvidia subiu 0,52%, a Apple somou 0,72%, a Alphabet valorizou 0,71% e a Amazon caiu 0,53%.
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