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Twitter recua no combate à desinformação sobre a covid-19

A decisão da rede social surge cerca de um mês após a compra da empresa por Elon Musk, que fez da sua principal bandeira para a aquisição do Twitter, a liberdade de expressão. A Comissão Europeia já confessou estar preocupada.

Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 29 de Novembro de 2022 às 17:45
O Twitter revogou a política da empresa de combate à desinformação acerca da covid-19, de acordo com um comunicado da rede social.

"A partir de 23 de novembro de 2022, o Twitter deixa de aplicar a política sobre desinformação acerca da covid-19", segundo o comunicado no site da empresa.

A decisão surge numa altura em que "soam os alarmes" em Bruxelas sobre a possibilidade de a companhia não conseguir cumprir os padrões do bloco, com a onda de despedimentos do Twitter que incluiu quadros dedicados à moderação de conteúdos.

A resolução da rede social, comprada por Elon Musk, surge ainda numa altura em que aumenta o número de casos de covid-19 na China e em outros países do mundo.

No início da pandemia, em 2020, o Twitter instituiu uma série de medidas que incluíam a remoção de tweets que avançavam informações falsas sobre a covid-19 assim como as campanhas anti-vacinas.

Facebook, Youtube e Alphabet, a empresa-mãe da Google, adotaram medidas semelhantes.

No início deste ano, o Twitter anunciou que desde março do ano passado tinha deixado de aplicar a "política de integridade cívica" relacionada com alegadas mentiras sobre a eleição presidencial norte-americana que deu a vitória e Joe Biden e que levantou dúvidas entre os apoiantes de Donald Trump, sobre a viabilidade das votações.

Já sobre a regência de Musk, o Twitter desbloqueou a conta de Donald Trump, suspensa na sequência aos ataques ao Capitólio a 6 de janeiro do ano passado.

Há um mês, após comprar a rede social por 44 mil milhões de dólares, Musk assegurou que iria criar um conselho de moderação de conteúdo com "pontos de vista amplamente diversos".

Além desta medida, Musk ordenou uma onda de despedimentos e fez um ultimato para que os trabalhadores que restavam trabalhem "longas e intensas horas" sob pena de saírem da companhia. Esta medida levantou uma onda de demissões.

Em Bruxelas, Julia Mozer e Dario La Nasa, que ocupavam a liderança do departamento de moderação digital, abandonaram a empresa na semana passada, o que causou preocupação na Comissão Europeia.

"Estou preocupada com a saída de tantos funcionários do Twitter na Europa", comentou ao Financial Times a vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourová. Para "tomar medidas contra a desinformação e a propaganda, são precisos recursos", acrescentou.
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