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Huawei em Portugal? Nos e Vodafone frisam alternativas. Meo quer manter elo mas seguirá UE

A presença da chinesa Huawei nas redes de telecomunicações de quinta geração – ou 5G -, tem preocupado vários países e entidades. Em Portugal, as operadoras dizem-se atentas e não excluem tomar medidas.

Bloomberg
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 04 de Fevereiro de 2019 às 13:58
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Num momento em que a operadora Huawei é alvo de suspeitas de espionagem para o Governo chinês um pouco por todo o mundo, em Portugal, a presença nas redes de telecomunicações é generalizada. Contactadas pelo Negócios, a Nos e a Vodafone ressalvam que trabalham com outros fornecedores. Já a Altice, que controla a Meo, afirma que não quer quebrar as parcerias com a empresa chinesa, embora admita que a posição a tomar pela União Europeia – que, até agora, se mostrou em oposição à Huawei - será determinante no futuro desta aliança.

A Nos esclarece que a Huawei é "um dos fornecedores de referência" da operadora, "mas não é o único". A empresa diz ter vários fornecedores para cada área de desenvolvimento tecnológico, precisamente de forma a "minimizar o impacto de eventuais disrupções no mercado". Outra das defesas apontadas é a "rigorosa avaliação de risco" levada a cabo pela empresa e que, até agora, não encontrou "qualquer evidência de um risco real de segurança nacional" no que diz respeito à empresa chinesa. A operadora portuguesa compromete-se, assim, a continuar a acompanhar de perto o evoluir da situação.

A Vodafone foi a única das operadoras com atividade em Portugal cuja gestão a nível internacional já tomou uma posição. O CEO do grupo, Nick Reed, decretou "uma pausa na instalação de novos equipamentos Huawei na Europa no que diz respeito ao 5G", à qual a sucursal portuguesa diz "não ter nada a acrescentar", avançando apenas a informação de que "o parceiro tecnológico preferencial da Vodafone Portugal para o 5G é a Ericsson". Anteriormente, em dezembro passado, o presidente executivo da Vodafone Portugal, Mário Vaz, declarou que a operadora não tem "nenhuma razão" de preocupação quanto à "segurança da rede da Huawei ou de outro fornecedor".

 

Já a Altice Portugal "reitera pretender manter a sua aposta na colaboração com a Huawei em Portugal", afirma fonte oficial da empresa, referindo-se a todas as parcerias mas, em particular, ao "importante projeto de desenvolvimento e implementação da tecnologia 5G em Portugal", o qual foi fechado com a Huawei durante a visita do presidente chinês ao país, no passado mês de dezembro. As relações da Altice com a Huawei já contam uma década, e abrangem vários equipamentos, que vão desde as redes móveis às fixas, e englobam também os processos de inovação.

Apesar das intenções de manter o elo com a parceira chinesa, a Altice diz considerar importante a clarificação desta temática, "pelo que continuará a acompanhar todo este processo em alinhamento com os desenvolvimentos que venha a verificar no mercado, e em particular o posicionamento que a UE venha a assumir neste processo".

O regulador do sector de comunicações, a Anacom, também já se pronunciou, na voz do presidente da entidade, João Cadete de Matos, avançando que não tem "indícios para ter preocupação específica" sobre a rede da Huawei ou de outro fornecedor, no que toca a eventuais riscos de segurança.

 

Lá fora, somam-se os recuos
O comissário europeu responsável pela pasta da tecnologia, Andrus Ansip, declarou no passado mês de dezembro que o bloco devia preocupar-se com "a Huawei e outras empresas chinesas", numa conferência de imprensa em Bruxelas. A operadora de Shenzhen mostrou-se desapontada com a posição comunicada pela União Europeia, e defendeu-se afirmando que nunca tinha sido abordada no sentido de instalar tecnologia que pudesse ser utilizada para espionagem.

Na segunda-feira passada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu dois processos contra a gigante tecnológica chinesa, acusando-a de fraude bancária e roubo de tecnologia à rival norte-americana T-Mobile, para além da violação de sanções internacionais impostas ao Irão. Este foi o segundo "ataque" da parte da justiça americana à Huawei, poucos meses após a detenção da CFO da empresa chinesa, suspeita de não respeitar as sanções impostas pelos EUA ao Irão. No que toca aos equipamentos da empresa, Washington assinou um despacho, em agosto, que proíbe o uso da tecnologia da Huawei e da ZTE pelo Governo, e as gigantes de telecomunicações AT&T e Verizon Communications quebraram os acordos que tinham para distribuir smartphones da Huawei.

 

Entre as nações que decidiram afastar as chinesas Huawei e ZTE das infraestruturas de telecomunicações, alegando "motivos de segurança nacional", estão o Reino Unido, a Austrália e a Nova Zelândia.

A sustentar os receios internacionais em relação à possível espionagem por parte da Huawei, está uma recente lei chinesa que requer às empresas que colaborem com o Governo quando solicitado.

Huawei nega

A Huawei já apelou aos Estados Unidos para "pararem com a infundada repressão" à empresa e considerou existir uma "forte motivação e manipulação política" nos processos movidos contra a empresa. O fundador e pai da atual CFO, Ren Zhengfei, interrompeu o silêncio que mantinha desde 2015 para negar publicamente as acusações dos Estados Unidos à empresa que criou.

Paralelamente, a empresa, que sempre havia mantido uma postura fechada, alterou-a. Avançou iniciativas como visitas guiadas a algumas de suas instalações mais sensíveis e uma reunião privada para a imprensa internacional, com o seu principal executivo.

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