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"Indefinição na Azores Airlines agrava fragilidade da empresa e destrói valor", diz SPAC

O sindicato dos pilotos, que aprovou o acordo com o consórcio, afirma que existe risco "com impacto severo na operação e no emprego" se a companhia aérea açoriana não for vendida.

O júri do concurso sugeriu a rejeição da proposta pela Azores Airlines.
O júri do concurso sugeriu a rejeição da proposta pela Azores Airlines. Brian Bukowski/ Cofina Media
20:00

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) admite que não vai apoiar "qualquer processo de privatização que coloque em risco o emprego, a sustentabilidade da empresa ou os interesses estratégicos da Região Autónoma dos Açores". A posição dos pilotos surge depois de o júri defender que a proposta do consórcio Atlantic Connect Group deve ser rejeitada, sendo que a indefinição deste processo "agrava a fragilidade da empresa" e destrói-lhe valor.

Os pilotos aprovaram o acordo com o então consórcio Newtour/MS Aviation, com uma taxa de aprovação de 75%, dando apoio ao grupo dos quatro empresários para avançar para a privatização da Azores Airlines. No comunicado de novembro, o vice-presidente do SPAC, Frederico Saraiva de Almeida, tinha apontado que os pilotos "não aceitarão ser responsabilizados por um eventual falhanço do processo".

No comunicado emitido esta tarde, dois dias depois do júri chumbar a proposta de compra da Azores Airlines por 17 milhões de euros, o vice-presidente do sindicato reconhece que "a situação atual é crítica". "A urgência não é política nem retórica - é regulatória, económica e operacional. O prolongamento da indefinição agrava a fragilidade da empresa, destrói valor e compromete decisões essenciais de investimento e planeamento. Sem solução validada e credível, o risco de medidas com impacto severo na operação e no emprego é real", destaca Frederico Saraiva de Almeida.

O sindicato admite ser "inequívoco" ao não apoiar um processo de venda que "coloque em risco o emprego, a sustentabilidade da empresa ou os interesses estratégicos da Região Autónoma dos Açores, nem aceitará soluções juridicamente frágeis ou financeiramente irresponsáveis".

Sem solução validada e credível, o risco de medidas com impacto severo na operação e no emprego é real. Frederico Saraiva de Almeida
Vice-presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil

"Perante a recomendação agora conhecida, impõe-se uma questão incontornável: como é possível que fragilidades estruturais alegadamente conhecidas sejam invocadas apenas nesta fase avançada do processo? O arrastamento de decisões e a ausência de clarificação atempada têm custos concretos, que recaem sobre trabalhadores, empresa e região", destaca o sindicato no comunicado.

Com o relatório preliminar a recomendar a rejeição, o SPAC "exige uma decisão imediata e um plano público, claro e calendarizado: seja para relançar a privatização com regras sólidas e transparentes, seja para avançar com uma alternativa equivalente, juridicamente segura e financeiramente sustentável", sendo que o caminho a seguir "deve incluir salvaguardas efetivas para os trabalhadores, garantia de não prejuízo para a SATA Air Açores e uma governação responsável, orientada e resultados". 

O secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, disse ao Negócios que o objetivo é chegar a uma venda, sendo que vai analisar o relatório final, devendo este estar pronto no final de fevereiro. Só depois deste relatório, que terá o contributo da SATA, é que o Governo Regional se pronuncia, sendo que o governante admitiu a possibilidade de negociação direta, desde que os interesses públicos sejam salvaguardados.

Também Carlos Tavares, um dos membros do consórcio, assegurou ao Negócios a intenção firme da proposta, mas que a dívida da Azores Airlines é inegociável e tem de se manter do lado da Região Autónoma. O Atlantic Connect Group chegou a acordo com os dois sindicatos - pilotos e tripulantes de cabines - antes de efetivar a proposta. 

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