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Ana Mendes Godinho: “Turismo foi o setor que mais postos de trabalho perdeu durante a pandemia”

Cerca de 100 mil trabalhadores na área abandonaram-na durante a Covid-19, mas apenas 40 mil postos de trabalho foram recuperados. PALOP são aposta do Governo.

Tiago Petinga / Lusa
Patrícia Naves patricianaves@negocios.pt 27 de Setembro de 2022 às 15:46
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"O Turismo foi o setor que mais postos de trabalho perdeu durante a pandemia", confirmou esta terça-feira Ana Mendes Godinho. A área terá perdido cerca de 100 mil pessoas no decorrer da Covid-19, que se recolocaram para outros trabalhos e já terá recuperado cerca de 40 mil –faltam 60 mil, um problema que urge resolver até porque "o turismo vive de pessoas", frisou.

A ex-secretária de Estado do Turismo e atual Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social marcou presença na VI Cimeira do Turismo Português, a acontecer esta terça-feira e onde a falta de mão de obra no setor tem sido um dos temas centrais. No debate sobre 'Como atrair profissionais para o Turismo’, Ana Mendes Godinho começou por lembrar os factos que explicam esta atual lacuna de mão de obra: além da questão da pandemia, também um mundo de trabalho e mercado laboral cada vez mais aberto, onde os trabalhadores "livremente escolhem" – e onde o turismo compete não só com outras atividades, como com empregos noutros países.

Além disso, lembrou a ministra, a pandemia abalou todos "de uma forma sísmica" do ponto de vista "até das motivações dos trabalhadores" face aos contratos de trabalho. O desafio é agora recuperar: posicionar Portugal "não só com a capacidade de dizer aos jovens que têm condições para cá ficar como abrir o pais para novos trabalhadores", destacou.

Atualmente, o Governo está a operacionalizar a vinda de trabalhadores dos PALOP para o nosso país com a facilidade de obtenção de vistos, mas quer para os que virão como os que já cá estão um dos grandes desafios do setor é manter salários e condições atrativas. Referindo a atual taxa de desemprego "historicamente baixa" de 5,9%, neste caso um "problema bom", a ministra lembrou que o desafio perante a falta de mão de obra é fixar as pessoas em Portugal, fazer com que se sintam valorizadas, melhorar os contratos.

"Estamos a competir pelo menos com a Europa toda e por isso temos de dar a mensagem aos jovens que são importantes", algo que deve ser "um esforço coletivo". Sendo "evidente" que isso significa melhorias nos salários, implica também uma série de outras condições. "Temos de nos posicionar como um país atrativo para as pessoas viverem e trabalharem". A ministra referiu o exemplo do acordo de mobilidade com os países da CPLP e a facilidade dos vistos que será acompanhado de uma série de eventos, como feiras de recrutamento que vão começar em Cabo Verde. "Tenho a certeza que as empresas são as principais interessadas" em criar condições atrativas e dar um "valor diferente ao trabalho", frisou ainda ministra adiantando que, também com Marrocos, o Governo assinou esta semana um acordo de mobilidade.

Em termos de concertação social, conclui Ana Godinho, o Governo pretende assumir as medidas que forem consideradas necessárias para garantir estes objetivos, como apontar a uma discriminação fiscal positiva para as empresas alinhadas com os compromissos e objetivos de fixar jovens nos empregos do setor, evitando por exemplo que sejam prejudicadas em sede fiscal por aumentos.
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