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O que é que a Livraria Lello tem de tão especial?

Uma das mais bonitas, “cool” e interessantes livrarias do planeta faz 110 anos. Conheça a história da Lello, cuja escadaria vermelha ficou mundialmente conhecida por ter sido a inspiração das escadas de Hogwarts nos livros de Harry Potter, da escritora J.K. Rowling, que chegou a morar na cidade do Porto.

Nuno Fernandes Veiga/Correio da Manhã
Rui Neves ruineves@negocios.pt 13 de Janeiro de 2016 às 18:30
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A portuense Livraria Lello, que comemora esta quarta-feira, 13 de Janeiro, o seu 110.º aniversário, já merecia ter uma estante dedicada aos prémios, distinções e citações elogiosas que já recebeu de todo o mundo. A CNN considerou-a a livraria mais bonita do planeta, em 2014. Três anos antes, o guia turístico Lonely Planet reconheceu-a como a terceira mais bela, classificação igual à que recebeu do jornal inglês The Guardian, em 2008. E há precisamente um ano, a revista Travel + Leisure colocou-a no topo da lista das 15 livrarias mais "cool" a nível mundial, enquanto a revista Time a integrou no top15 das mais interessantes.

Mas, afinal, o que é que a Lello tem assim de tão especial? É uma verdadeira obra de arte. Com milhares de livros que envolvem uma escadaria vermelha que a Time descreveu como "um dragão literário" e que também é mundialmente conhecida por ter sido a inspiração das escadas de Hogwarts nos livros de Harry Potter, da escritora J.K. Rowling, que chegou a morar na cidade do Porto. 

Com uma decoração ainda marcada por tectos ornamentados, arcos ogivais, madeiras, e a clarabóia com um vitral que ilumina a escadaria central em espiral e ostenta o monograma e a divisa da livraria "Decus in Labore" (dignidade no trabalho), no interior da Lello sobressai um outro conjunto artístico: os bustos, em baixo-relevo, dos escritores Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Antero Quental e Teófilo Braga.

Situada no topo da Rua das Carmelitas, junto à Torre dos Clérigos, trata-se de um dos mais emblemáticos edifícios do neogótico portuense. "Moldado pela visão sumptuosa" do engenheiro Xavier Esteves, o espaço foi inaugurado a 13 de Janeiro de 1906. Tratou-se de um grandioso acontecimento cultural na cidade, que juntou, entre outros homens das letras, das artes e da política, figuras como Guerra Junqueiro, João Grave, Afonso Costa, Aurélio da paz dos Reis, José Leite de Vasconcelos e Bento Carqueja.

Herdeira da famosa livraria Chardron, do cidadão francês Ernesto Chardron, que editou as primeiras obras de gigantes da literatura portuguesa como Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco, a Livraria Lello foi objecto de uma intervenção de requalificação em 1995 e classificada como monumento de interesse público em 2013.   


Mais de um século depois, a família Lello continua à frente da livraria. José Manuel Lello, bisneto do fundador, divide o controlo accionista da sociedade proprietária com Avelino Pedro Pinto e é o "rosto" desta casa, que não é a livraria mais antiga de Portugal – epíteto que pertence à Bertrand do Chiado, que existe na lisboeta Rua Garret desde 1732 –, mas é, garantidamente, a mais visitada.

E foi precisamente para controlar a avalanche de turistas que a visitam, que a Lello passou, a partir de 23 de Julho do ano passado, a cobrar as entradas (três euros) dos visitantes através de "vouchers" dedutíveis na compra de livros. Desde então, garante José Manuel Lello, a livraria aumentou em quase 300% a venda de livros, de 190 para uma média de 522 por dia.

 

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