S&P 500 e Dow Jones fixam novo recorde apesar de receios com independência da Fed
Os principais índices norte-americanos recuperaram terreno durante a sessão e fecharam em alta, com o S&P 500 a fixar um novo máximo histórico e de fecho, depois de uma abertura em baixa marcada por preocupações em torno da independência do banco central norte-americano.
O “benchmark” S&P 500 avançou 0,16%, para os 6.977,27, tendo atingido um novo máximo histórico durante a sessão nos 6.986,33 pontos. Já o Nasdaq Composite ganhou 0,26%, para os 23.733,90 pontos. O Dow Jones, por sua vez, valorizou 0,17% para os 49.590,20 e também fixou um novo recorde histórico nos 49.633,35 pontos.
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Num comunicado divulgado no domingo, Jerome Powell disse que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode levar a um processo de destituição, com base numa audiência em junho. O líder do banco central defendeu que a intimação faz parte da pressão contínua, exercida por Trump – que negou em entrevista à NBC ter qualquer conhecimento sobre a investigação - sobre a instituição, para cortar as taxas de juro de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%.
Ainda que Wall Street tenha conseguido terminar a sessão desta segunda-feira no verde, a cautela prevaleceu entre os investidores.
A independência da Fed é uma premissa fundamental para os mercados, e qualquer mudança nessa perceção pode pesar no sentimento dos “traders”. E mesmo que os ataques à independência da Fed provavelmente se mantenham um tema central em 2026, Krishna Guha, da Evercore, disse à Bloomberg que há duas maneiras de interpretar a reação dos mercados a estas preocupações na sessão de hoje: “A primeira é que isso não importa para os mercados [e] a segunda é que importa muito, mas, em parte por esse motivo, os investidores acham que esta medida não levará a lado nenhum e que o Governo irá procurar uma saída para diminuir a tensão". "Estamos firmemente no segundo campo”, acrescentou a especialista.
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Entre o setor da banca, a Capital One Financial (-6,42%), o American Express (-4,27%) e o JPMorgan (-1,44%), entre outros, registaram fortes desvalorizações, depois de o Presidente norte-americano ter apelado, ainda que em tom de exigência, que as instituições financeiras limitem as taxas de juros nos cartões de crédito a 10%, durante um período de um ano, já a partir da próxima semana.
“A característica definidora deste mercado é o quão pouco os investidores se parecem importar com um cenário cada vez mais ruidoso, incluindo [em termos de] geopolítica, risco político e incerteza macroeconómica”, referiu à agência de notícias financeiras Mark Hackett, da Nationwide.
Entre os movimentos do mercado, o Citigroup (-2,97%) – que também foi pressionado pelas declarações de Donald Trump em relação ao setor da banca – acabou por reduzir as perdas, ainda que de forma pouco expressiva, depois de se saber que a instituição financeira deverá cortar mil postos de trabalho já esta semana.
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Quanto às "big tech”, a Nvidia subiu 0,043%, a Meta perdeu 1,70%, a Apple ganhou 0,34%, a Alphabet avançou 1%, a Amazon desvalorizou 0,37% e a Microsoft deslizou 0,44%.
Nesta linha, a Alphabet tornou-se esta segunda-feira a quarta empresa do mundo a ultrapassar a marca dos quatro biliões de dólares em capitalização bolsista, depois de a fabricante do iPhone ter escolhido o Gemini - o modelo de IA da empresa liderada por Sundar Pichai - para alimentar as aplicações da empresa, onde se inclui a assistente virtual Siri.
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