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O urso está a ganhar ao touro em Wall Street. É o pior ano desde 2008

As bolsas norte-americanas ainda conseguiram abrir com tímidas subidas, mas acabaram por uma vez mais sucumbir aos receios dos investidores, o que tem feito disparar a volatilidade a par do movimento de sell-off. O espectro de uma paralisação dos serviços federais a partir da meia-noite veio agravar o já deteriorado sentimento do mercado.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 21 de Dezembro de 2018 às 21:02
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"Caos em Washington", escreve a Bloomberg. "Nasdaq reentra em mercado urso no final de uma semana terrível", diz a CNN Business. "Novos mínimos do ano em Wall Street", sublinha a Reuters. "Novas perdas nas bolsas americanas com sentimento a manter-se frágil", aponta o Financial Times. "Bolsas estendem perdas no final de uma semana punitiva", atesta o The Wall Street Journal.

O dia termina, assim, com nuvens bastante negras nas bolsas do outro lado do Atlântico, onde os principais índices marcaram novos mínimos de 2018 - estando mesmo nos valores mais baixos dos últimos 14 meses.

O Dow Jones encerrou a cair 1,82% para 22.444,12 pontos e o Standard & Poor’s 500 recuou 2,06% para 2.416,62 pontos.

 

O Dow e o S&P 500 estão em território de correcção, já que perdem mais de 10% face aos últimos máximos, e aproximam-se a passos largos do terreno dos ursos (quando essa queda é de pelo menos 20%).

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite fechou a perder 2,99% para 6.332,99 pontos. Desde o seu último máximo, marcado a 30 de Agosto nos 8.133,30 pontos, já cai mais de 20%, o que o coloca em "bear market". Durante a sessão, chegou a recuar mais de 3%.

 

Neste momento, além do Nasdaq Composite, há oito outros grandes índices bolsistas mundiais que estão já em mercado urso, refere a CNN Business. Destes, três são europeus: o italiano FTSE MIB, o alemão Dax e o espanhol Ibex 35.

 

Nos EUA, este é o pior ano desde 2008 para as bolsas. E o pior Dezembro desde a Grande Depressão de 1931.

Além dos receios em torno das tensões comerciais Washington-Pequim e em torno da desaceleração económica mundial, Wall Street reagiu mal, nas duas últimas sessões, ao facto de a Reserva Federal norte-americana ainda prever mais dois aumentos das taxas de juro em 2019 – quando os investidores contavam com uma atitude menos branda, à espera mesmo de uma pausa nas subidas dos juros directores.

"Shutdown" à espreita

 

Hoje, a acrescer a tudo isto, foram os receios em torno de um "shutdown" que vieram agravar o movimento generalizado de vendas (sell-off). Com efeito, o grande foco dos investidores nesta sexta-feira esteve no financiamento do governo federal.

A Câmara dos Representantes aprovou na noite passada (já sexta-feira em Lisboa, devido à diferença horária de cinco horas para Washington) um pacote orçamental que contempla os 5,7 mil milhões de dólares exigidos por Donald Trump para a construção do muro na fronteira com o México, para satisfação do presidente norte-americano.

No entanto, o potencial veto do Senado a um decreto de lei que contemplasse uma verba para o muro deverá acabar por ditar o fracasso da lei de financiamento federal que iria permitir que os serviços públicos continuassem a funcionar. Assim, deixa de haver mais dinheiro a partir da meia-noite - ou seja, entra-se em "shutdown", mas parcial, visto que parte do financiamento já está assegurado.

Trump já tinha ameaçado vetar o pacote orçamental, mesmo que fosse aprovado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado (as duas casas do Congresso), caso não estivesse contemplada a verba que exige para prosseguir a construção do muro. E hoje reiterou essa ameaça, advertindo o país para se preparar para um período "muito longo" de paralisação dos serviços. 

A última vez que houve perigo de "shutdown" foi em Janeiro passado. E aconteceu mesmo, com os serviços públicos do país a paralisarem durante três dias. Ao terceiro dia, os legisladores norte-americanos acabaram por delinear um acordo para a reabertura dos serviços do governo federal.

Bruxaria quádrupla


Além do espectro de um "shutdown" a partir da meia-noite, hoje foi dia de bruxaria quádrupla ("quadruple witching") nos mercados de ambos os lados do Atlântico. E quádrupla porque se dá o vencimento simultâneo de quatro contratos: futuros e opções sobre índices e sobre acções, tanto nos EUA como na Europa.

O nome do dia faz assim referência a estes quatro vencimentos e às bruxas. Mas porquê as bruxas? Os mercados têm o termo ‘witching hour’ (a hora da bruxa) que é a última hora de negociação da sessão bolsista. Uma vez que o vencimento destes quatro tipos de contratos exerce grande influência no desempenho do mercado, o termo é tido como adequado para a situação, já que essa "hora da bruxa" será um curto período em que quem pratica feitiçaria fica especialmente mais activo e poderoso. 

 

Assim sendo, este é um dia já de si historicamente mais volátil, especialmente na última hora de negociação, com um elevado volume de transacções. Isto porque os investidores que precisam de fechar posições podem movimentar o mercado a qualquer preço, levando as cotações a oscilarem erraticamente.

O ‘quadruple witching’ ocorre quatro vezes por ano, nas terceiras sextas-feiras dos meses de Março, Junho, Setembro e Dezembro.

 

 

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