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As 10 previsões improváveis do Saxo para 2020: BCE sobe juros e há mais um país a sair da UE

A inversão da política monetária do BCE; uma abordagem diferente de Trump na guerra comercial e uma nova moeda na Ásia para fazer frente ao dólar são algumas das previsões improváveis do Saxo Bank. Conheça todas.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 03 de Dezembro de 2019 às 14:09
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Mantendo a tradição de há 20 anos, a equipa do Saxo Bank fez as 10 previsões improváveis para o próximo ano. São os chamados cisnes negros, ou com explica o banco, um exercício de quais serão as implicações de 10 cenários que são possíveis, embora não necessariamente prováveis.  

Estas são as 10 previsões improváveis do Saxo Bank. Em baixo pode ler o estudo completo do banco dinamarquês.

Fabricantes de “chips” com ano difícil

Fabricantes de “chips” com ano difícil
2020 vai ser o ano em que as fabricantes de chips vão bater contra a parede. Vítimas do que o Saxo Bank apelida de "inverno da Inteligência Artificial", repetindo o que aconteceu nos anos 60 e 80, as empresas que produzem microprocessadores vão enfrentar períodos difíceis no próximo ano, incapazes de repetir o forte crescimento registado no passado. Este abrandamento vai refletir-se fortemente no desempenho das ações do setor, que nos últimos anos têm alcançado retornos bem acima da média. O Philadelphia Semiconductor Index (SOX) regista um ganho anualizado de 24% desde a Grande Recessão, o que compara favoravelmente com uma valorização de 16,6% do S&P500. Para 2020, tendo em conta esta previsão pessimista, o Saxo aponta para uma perda de 50% deste índice acionista que agrupa fabricantes de chips.

Estagflação beneficia empresas de valor e penaliza FANG

Estagflação beneficia empresas de valor e penaliza FANG
A eficácia da política monetária implementada nos últimos anos pelos bancos centrais chegou ao fim. As medidas tomadas para evitar recessões impediu uma limpeza no sistema e destruiu a eficácia nos preços, deixando como única alternativa a impressão de dinheiro para impulsionar a economia. O Saxo Banco diz que é o fim do sistema de Bretton Woods e das condições que levaram os investidores a favorecer a aposta em companhias de rápido crescimento, que beneficiaram com o dinheiro barato e m unicórnios que acumulam prejuízos, como a Uber e a WeWork.

Sem a ajuda dos bancos centrais, o défice dos Estados Unidos dispara devido aos elevados gastos públicos para combater uma recessão. Mas acontece uma coisa estranha: os preços e os salários disparam, o que faz disparar o custo do capital e provoca a falência de muitas empresas "zombies". Com um cenário de estagflação (inflação em alta e crescimento económico estagnado), são as empresas de valor que ganham em bolsa. Neste cenário improvável, o Saxo estima que o ETF iShares MSCCI World Value Factor regista um desempenho 25% superior às FANG (grupo que inclui as maiores tecnológicas norte-americanas: Facebook, Amazon, Netfkix e Google).

BCE aumenta juros

BCE aumenta juros
A nova presidente do BCE, Christine Lagarde, surpreende tudo e todos e anuncia no início de 2020 que a eficácia da atual política monetária do BCE chegou ao fim. A antiga diretora-geral do FMI defende que as taxas de juro em mínimos históricos e a taxa dos depósitos em terreno negativo representam uma ameaça à solidez do sistema bancário e por isso inverte a política monetária e sobe os juros na reunião de 23 de janeiro de 2020. O agravamento das taxas de juro prossegue ao longo do ano até a taxa de depósitos (atualmente em -0,5%) passar para terreno positivo no final do ano.

O objetivo de Lagarde é forçar os governos europeus, sobretudo a Alemanha, a aumentar a despesa pública. Com o maior esforço orçamental dos países do euro, a reação dos mercados é surpreendentemente positiva. Neste cenário improvável os bancos são os grandes vencedores e alcançam em 2020 uma valorização de 30%.

Energias verdes perdem interesse

Energias verdes perdem interesse
A indústria da energia poluente tem sofrido nos últimos anos com o crescimento rápido das energias renováveis e com a maior consciencialização da população para o perigo das alterações climáticas e necessidade de apostar nas energias verdes. Os preços mais baixos das energias poluentes e a tendência dos investidores evitarem esta indústria levaram a que as empresas deste setor transacionem em bolsa com um desconto de 23% para as companhias de energias verdes. Em 2020 esta tendência vai inverter-se, com a OPEP a intensificar os cortes de produção e o aumento da procura por parte dos países asiáticos. O setor do OIl & Gas vai ser um claro vencedor em 2020 também porque os investidores reconhecem que a rentabilidade dos investimentos em energias verdes é demasiado baixo e que a industria como um todo está a destruir capital. Tendo em conta esta previsão improvável, o rácio entre um ETF de empresas de energia e um outro de empresas de energias limpas dispara de 7 para 12 em 2020.

Eskon coloca África do Sul perto do “default”

Eskon coloca África do Sul perto do “default”
O governo sul-africano anunciou recentemente que o défice orçamental de 2020 vai disparar para 6,5% do PIB, o nível mais elevado em dez anos, devido aos gastos para injetar dinheiro na Eskom, a empresa de eletricidade do país que está em fortes dificuldades financeiras. O "fiasco" com a Eskom será o ponto de partida para os credores internacionais deixarem de financiar o país, que está com as contas públicas em problemas há vários anos. Com o país mais perto do "default", a moeda do país vai afundar, com o dólar a comprar 20 rand, contra os 15 atuais.

Trump aplica taxa de 25% a todas as importações

Trump aplica taxa de 25% a todas as importações
2020 até começa de forma tranquila no comércio mundial, com os Estados Unidos e a China a selarem um acordo temporário para cancelar tarifas. Mas a economia norte-americana começa a definhar e o défice comercial entre EUA/China teima em não baixar. Com as eleições à porta e a baixar nas sondagens, Donald Trump anuncia um imposto geral de 25% a aplicar a todos os produtos importados. A America First Tax provoca uma revolução nas empresas norte-americanas, que transferem a produção para o país para reduzirem a fatura fiscal. Com este cenário improvável, a inflação vai disparar, aumentando o retorno nos títulos que beneficiam com esta tendência. As obrigações dos EUA a 10 anos protegidas contra a subida da inflação atingem uma yield de 6%.

Suécia aumenta gastos sociais para acolher imigrantes

Suécia aumenta gastos sociais para acolher imigrantes
A Suécia toma medidas para melhorar a integração de imigrantes, que já representam cerca de 25% da população. A despesa da Segurança Social em ação social dispara e o estímulo orçamental tem um efeito positivo, ajudando a economia sueca a sair de recessão. A coroa sueca reage de forma positiva e valoriza face ao euro. E a Suécia volta a ser vista em todo o mundo como um país modelo no acolhimento de emigrantes.

Democratas ganham eleições

Democratas ganham eleições
Nos mercados o cenário central passa pela vitória de Donald Trump nas eleições de 2020. Mas ao contrário do esperado, são os democratas que saem vitoriosos nas Presidenciais, ganhando também o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado. A derrota dos republicanos deve-se sobretudo aos votos das mulheres e dos "millennials". Nos mercados acionistas o efeito mais forte é sentido nas cotações das empresas do setor da saúde e farmacêuticas, que afundam 50%.

Hungria abandona a União Europeia

Hungria abandona a União Europeia
Depois do Reino Unido, agora é a Hungria que dá os primeiros passos para abandonar o bloco europeu. O divórcio arranca devido ao processo de imposto pela União Europeia contra as medidas anti-europeias implementadas pelo governo de Viktor Orbán. Os mercados temem uma fuga de capitais e redução de investimento estrangeiro da Hungria, levando o forint a afundar. O euro comprará 375 forint, contra os 334 atuais.

Ásia lança moeda digital de reserva

Ásia lança moeda digital de reserva
O banco asiático Asian Infraestruture Investment Bank (AIIB) cria uma nova moeda digital de reserva para a região, denominada Asian Drawing Right (ADR). Cada ADR valerá 2 dólares, tornando esta a moeda com o valor mais elevado do mundo. O objetivo passa por combater a hegemonia da moeda norte-americana como divisa de reserva mundial e baixar a relevância do dólar no comércio da região.

A ADR será criada com a tecnologia "blockchain" e permitirá aos países aderentes converter a moeda nas suas divisas locais. A decisão terá um forte impacto no dólar, pois os Estados Unidos perderão parte dos fundos que servem para financiar os seus défices gémeos (comercial e orçamental). A moeda norte-americana desvaloriza 20% face à ADR no espaço de poucos meses e 30% contra o ouro.
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