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É oficial: euro atinge paridade unitária com o dólar

É a primeira vez em 20 anos. No acumulado do ano, a "moeda única" tomba 12% face ao dólar.

Para os analistas “é uma questão de tempo” até que o euro fique em paridade com a nota verde, havendo mesmo quem defenda uma queda abaixo deste nível já esta semana.
Leonhard Foeger/Reuters
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Depois de na terça-feira já ter estado muito perto da paridade unitária com o dólar, foi hoje que o euro atingiu de facto essa fasquia. Pela primeira vez em 20 anos, mais precisamente desde o verão de 2002, um euro vale exatamente o mesmo que um dólar. 

A paridade foi atingida após a divulgação dos dados da inflação nos Estados Unidos, que atingiu os 9,1% em junho, o valor mais alto desde 1981. 

No acumulado do ano, o euro tomba 12,06% face ao dólar, tendo esta queda sido agravada pela diferença de velocidades entre a Reserva Federal norte-americana (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE) na tomada de decisão da subida das taxas de juro e pela crise energética provocada pela guerra na Ucrânia.



"Acreditamos que o aumento dos temores de recessão generalizada tenha sido em grande parte responsável por esta forte desvalorização do euro, com os mercados a refugiarem-se no 'porto seguro' do dólar americano por temores de que o forte aumento da inflação em todo o mundo pesará sobre o crescimento global no segundo semestre de 2022", começa por explicar Matthew Ryan, Head of Market Strategy at Ebury, em declarações ao Negócios.

"O impacto destes receios foi fortemente sentido na Zona do Euro. Depois, os problemas existentes com o fornecimento de energia russo desencadearam outra alta acentuada nos preços do gás natural europeu, que agora mais que dobrou desde meados de junho", acrescenta o especialista.

Além disso, a divergência entre a política monetária levada a cabo pela Fed e pelo BCE é outro fator que terá levado a este fenómeno de paridade, fator este que foi agravado pela divulgação dos dados da inflação nos EUA em junho, o que deu sinais de que o banco central norte-americano poderá endurecer ainda mais a sua política monetária "falcão" para fazer frente ao acelerar do índice de preços. 

"Por outro lado, o BCE ficou bem atrás de muitos dos seus principais pares no aumento das taxas de juros, particularmente tem ficado muito atrás da Fed, factor este que tem ajudado a afundar a moeda única", escreve Matthew Ryan.

Os investidores preparam-se agora para um abrandamento da economia tanto na Europa como nos Estados Unidos, com George Saravelos, analista do Deutsche Bank, a prever, em declarações ao Financial Times, uma "recessão iminente nos dois lados do Atlântico". O aviso de uma recessão iminente na Zona Euro também já foi dado pelo banco norte-americano Goldman Sachs.


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