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Nova ferramenta "anti-crise" do BCE deve ser o "menos limitadora possível", defende governador belga

Numa altura em que pouco se sabe sobre a "misteriosa" ferramenta anti-fragmentação na Zona Euro, o governador belga, Pierre Wunsch, defende que a autoridade monetária "deve ser o menos limitadora possível".

O Banco Central Europeu quer saber de que forma as instituições financeiras estão preparadas para lidar com choques financeiros e económicos resultantes das alterações climáticas.
Kai Pfaffenbach/Reuters
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O Banco Central Europeu (BCE) "deve ser o menos limitador possível" no combate à fragmentação injustificada, ou seja, à clivagem sem justificação das condições de financiamento entre os 19 estados-membro da Zona Euro. O aviso é deixado pelo governador do Banco Central da Bélgica e membro do conselho da autoridade monetária.

 

"Se assistirmos a [um fenómeno de] fragmentação injustificada, então devemos ser o menos limitador possível [neste combate]", defendeu Pierre Wunsch, em entrevista ao Financial Times. "O apelo para agir é bastante forte quando somos confrontados com a fragmentação injustificada", acrescentou.

 

Para o governador belga a parte mais difícil da tarefa do BCE será mesmo decidir quando intervir. "A dificuldade será agir na zona cinzenta entre o que é um fenómeno de fragmentação justificada e o que não é. Temos de navegar nesta área de risco", explicou Wunsch.

 

Em meados de junho, num momento de escalada das "yields" das dívidas soberanas da Zona Euro, o BCE reuniu-se de emergência e anunciou que vai comprar dívida de forma mais flexível, bem como acelerar a implementação de um novo instrumento de forma a evitar a fragmentação, ou seja, uma nova crise de dívida em que as condições de financiamento não estão disponíveis de forma igual para todos os países da Zona Euro.

 

No Fórum do BCE, que ocorreu em Sintra há uma semana, a presidente da instituição, Christine Lagarde, não quis dar mais detalhes sobre o mecanismo anti-fragmentação, mas adiantou que o novo instrumento deve ser discutido já na próxima reunião de governadores, marcada para 21 de julho e que será eficaz, proporcional e irá conter salvaguardas.

 

Até ao momento muito se tem especulado sobre esta nova ferramenta "anti-crise". Segundo fontes próximas do processo, contactadas pela Bloomberg, este novo instrumento irá envolver compra de dívida e poderá levar à venda de outros ativos para que as novas aquisições não impeçam o objetivo de travar a inflação.

 

Segundo a agência noticiosa, a ferramenta será ativada se a diferença (spread) entre as taxas de juro das dívidas soberanas dos diversos países do bloco excederem determinados limites, segundo indicou Lagarde aos ministros das Finanças, durante uma reunião que ocorreu no mês passado no Luxemburgo.

 

Dias depois desta notícia, o governador do Banco de Portugal e também membro do conselho do BCE confirmou esta tese ao adiantar que o objetivo com este mecanismo é "introduzir no mercado disciplina sempre que os diferenciais  [dos juros da dívida face à alemã] excedam valores que estão além dos fundamentos económicos". Segundo Centeno, este "novo seguro" só será usado em caso de necessidade.

 

"Se for bem desenhado nunca vai ser utilizado", porque o objetivo é "prevenir um conjunto de comportamentos pela mera existência do mecanismo", disse. Mário Centeno recusou também a existência de condicionantes à sua utilização pelos países mais endividados.

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