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BCE vai ser mais flexível na compra de dívida. Acelera nova ferramenta anti-crise

O Conselho do BCE reuniu-se esta quarta-feira de emergência perante a turbulência dos mercados. A autoridade monetária decidiu que vai flexibilizar a compra de dívida e que vai acelerar o desenho do novo instrumento "anti-fragmentação".

Christine Lagarde
Kai Pfaffenbach / Reuters
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O Banco Central Europeu (BCE) vai avançar com medidas para travar a turbulência nos mercados europeus de dívida. Após a reunião de emergência desta quarta-feira, a autoridade monetária anunciou que vai comprar dívida de forma mais flexível, bem como acelerar a implementação de um novo instrumento "anti-fragmentação".

"O Conselho do BCE decidiu que vai aplicar flexibilidade no reinvestimento das esperadas amortizações do portefólio do PEPP, com vista a preservar o funcionamento do mecanismo de transmissão de política monetária, uma pré-condição para que o BCE seja capaz de alcançar o seu mandato de estabilidade dos preços", explica o banco central, em comunicado.

O envelope do Programa de Compras de Emergência Pandémica (PEPP) tinha 1,85 biliões de euros para comprar dívida pública e privada da Zona Euro para tentar travar o impacto da pandemia na economia. As compras líquidas terminaram em março, estando a decorrer a fase de reinvestimento dos montantes que atingem as maturidades. São estes valores que o BCE quer agora usar de forma direcionada.

A par desta medida, os decisores políticos decidiram igualmente "mandatar os comités relevantes do Eurossistema em conjunto com os serviços do BCE para acelerarem a completude do desenho do novo instrumento anti-fragmentação para a consideração do Conselho do BCE".

O anúncio do BCE surge numa altura em que a turbulência é patente nos mercados, em que os investidores assistem a um "sell-off" generalizado nas principais praças mundiais e ao agravamento expressivo dos juros das dívidas soberanas da Zona Euro.

Como o próprio banco central reconhece, no comunicado divulgado esta quarta-feira, "a pandemia deixou vulnerabilidades duradouras na economia da Zona Euro que estão de facto a contribuir para a transmissão desigual da normalização da nossa política monetária entre as várias jurisdições".

Assim, "desde que em dezembro de 2021 foi iniciado  o processo gradual de normalização da política monetária , o Conselho do BCE comprometeu-se em agir contra os riscos da fragmentação que ressurge".

Nas conferências de imprensa depois na sequência das duas últimas reuniões do BCE, uma em abril e outra na semana passada, a presidente da autoridade monetária, Christine Lagarde, já tinha sublinhado que " o BCE tem instrumentos para combater a fragmentação e irá implementar ferramentas novas se tal for necessário", tendo ainda frisado a necessidade de adoção da flexibilidade quando os tempos assim o exigirem.

 

Em abril, confrontada pelos jornalistas com o avanço dos preços e das yields na Zona Euro, a presidente do BCE já tinha recordado que no passado "a flexibilidade serviu-nos bem" e garantido que a criação de novos instrumentos para travar o impacto da escalada da inflação e um agravamento dos juros das dívidas estava entre as possibilidades para a autoridade monetária.

 

No último encontro, os decisores políticos do BCE apontaram para um aumento das taxas de juro em 25 pontos base já em julho e abriram a porta para uma subida de maior dimensão em setembro, tendo ainda confirmado que as compras líquidas do programa regular de aquisições (APP) terminam em julho.  

Depois da autoridade monetária ter publicado este comunicado, os juros das dívidas soberanas na Zona Euro aliviam de forma bastante expressiva e as principais praças europeias ganham força. 

 

A yield das Bunds alemãs a dez anos – "benchmark" para a região – subtrai 13,6 pontos base para 1,609%. Os juros da dívida italiana com a mesma maturidade registam um dos alívios mais expressivo na Zona Euro, a descer 36 pontos base para 3,804%, apenas superados pelas "yields" da dívida grega, que recuam 42 pontos, para 4,248%. Por sua vez a yield da dívida portuguesa a dez anos segue a tendência e alivia 24,7 pontos base para 2,844%, a maior queda desde março deste ano.

 

No mercado acionista, as principais praças europeias, à exceção de Lisboa, ganharam força estando a somar mais de 1%. O "benchmark" europeu, Stoxx 600, soma 1,20%, o espanhol IBEX valoriza 1,24% e o alemão DAX ganha 1,25%. Londres cresce 1,20%, Amesterdão sobe 1,25% e Milão ganha 2,38%. O PSI valoriza aoenas 0,67%.

(Notícia atualizada às 14:04 com reação dos mercados).

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