Petróleo, OPA em Itália e três outras coisas que precisa de saber para começar o dia
Guerra no Médio Oriente entra numa nova fase de elevada tensão, o que pode provocar fortes variações nos preços dos bens energéticos durante o dia. Os investidores vão ainda reagir ao meganegócio entre duas empresas italianas, bem como procurar pistas junto dos elementos do BCE e dos indicadores de confiança dos consumidores.
| Energia de novo em foco |
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Este domingo foi feito de ameaças. Primeiro por parte dos EUA, que deram 48 horas ao Irão para abrir Ormuz, com uma nova vaga de ataques prometida caso isso não aconteça, e depois dos iranianos, que prometem retaliar e manter Ormuz fechado. O passar dos dias não está a trazer um alívio na guerra e esta renovada tensão voltará a colocar em foco os preços do barril de Brent e dos contratos futuros de gás natural negociados em Amesterdão (TTF). Na maior subida da semana passada, o petróleo superou os 119 dólares por barril e o gás natural chegou a disparar mais de 30%. As estimativas mais negativas até ao momento apontam para uma escalada até aos 180 dólares se o conflito se prolongar até ao final de abril. |
| Pistas do BCE |
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Os riscos do prolongar da guerra nos preços da energia, que por sua vez terá um efeito generalizado nos bens de consumo, trouxe de volta e em grande força o fantasma da inflação. O próprio BCE admite que a inflação pode chegar aos 2,6% já este ano, afastando-se da meta-alvo (2%) do banco central, e no pior dos cenários pode atingir os 6%. E são os próprios governadores quem têm avisado que uma subida nos juros diretores pode estar já ao virar da esquina. Philip Lane, economista-chefe do BCE, Piero Cipollone, membro da Comissão Executiva do banco central, e José Luis Escrivá, governador do Banco de Espanha, discursam nesta segunda-feira e os investidores vão estar atentos |
| OPA de 10 mil milhões em Itália |
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Os investidores vão estar também de olho nas movimentações das ações da Poste Italiane, o principal operador postal italiano e que atualmente gere investimentos em diversas áreas, após o anúncio de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Telecom Italia (TIM), maior operador de telecomunicações do país. A OPA propõe um prémio de 9% sobre o preço de fecho de sexta-feira dos títulos da TIM. A concretizar-se, o negócio criará um gigante no país liderado por Giorgia Meloni. Resta saber como os investidores dos dois lados da barricada vão digerir as notícias do negócio. |
| Como vai a confiança dos consumidores? |
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Esta segunda-feira, a Comissão Europeia revela a estimativa rápida do indicador de confiança dos consumidores da Zona Euro, naquele que é o primeiro desta série desde o início da guerra no Irão. Um dado que será importante para perceber qual o sentimento e o impacto do conflito, que entra na quarta semana, junto dos europeus – consumidores mais pessimistas tipicamente são sinónimo de maior cautela financeira e menos dinheiro a circular na economia. Em janeiro, o indicador estava nos -12,4 pontos, em fevereiro evolui para -12,2 e o consenso dos analistas é que possa agora tombar para os -15 pontos. |
| Preços da habitação |
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Por cá, será o índice de preços da habitação, revelado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com dados relativos ao quarto trimestre de 2025, o indicador económico mais relevante. Na análise relativa ao trimestre anterior, os preços da habitação dispararam 17,7%, com mais de 42 mil habitações transacionadas no país. |