Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Coca-Cola vs Pepsi

A presença em cerca de 200 países permite compensar a quebra de vendas nos mercados desenvolvidos. receitas subiram em 2008

Coca-Cola vs Pepsi
André Veríssimo averissimo@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2009 às 14:24
  • Partilhar artigo
  • ...
Há os fãs de Coca-Cola e os que só bebem Pepsi. A bebida à base de caramelo desperta sentimentos idênticos a um clube de futebol. Não há favoritos. Só se gosta de um. Mas será que faz sentido optar quando se trata de investir?

As duas empresas apresentaram resultados anuais na semana passada. Sem surpresa, os lucros caíram. Mas pouco, dada a recessão que o mundo enfrenta. A Coca-Cola registou um resultado líquido de 5,8 mil milhões de dólares, 2,9% inferior ao do ano passado. Os números da líder mundial de refrigerantes surpreenderam e contribuíram para atenuar a queda da bolsa, já que são um indicador da evolução global do consumo. Os lucros anuais da Pepsi caíram 9,2%, ficando aquém das estimativas. Números afectados por amortizações e custos relacionados com os planos de restruturação e corte de custos. As receitas de ambas subiram e a Coca-Cola aumentou os resultados operacionais (EBITDA).

O bom desempenho do negócio tem tido eco na bolsa. As duas empresas conseguiram cair menos que o mercado durante os últimos 12 meses. E o registo é muito idêntico, ambas com uma desvalorização das acções de 24%, contra uma queda de 40% do principal índice americano. Em 2009 perdem 3%.

Apesar deste desempenho, Coca-Cola e Pepsi aparecem entre as empresas com melhor recomendação dos analistas entre as 500 cotadas do índice S&P500. Ou seja, a maioria dos especialistas que as segue recomenda "comprar".

Um dos pontos fortes destes dois gigantes é sua diversificação geográfica, que lhes permite compensar a travagem na receita dos países desenvolvidos com o crescimento nos mercados emergentes. A Pepsi vende os seus produtos para quase 200 destinos. A Coca-Cola está presente em mais de 200 países e mais de 70% das receitas operacionais vêm de fora da América do Norte.

Outra força reside na sua liderança. A empresa que forjou a imagem moderna do Pai Natal reclama para si quatro das cinco bebidas não-alcoólicas mais vendidas: Coca-Cola, Coca-Cola Diet, Sprite e Fanta.

A Pepsi é a bebida que entra no lugar que a rival deixa vago. Além disso tem marcas líderes em negócios onde a Coca-Cola não está, caso dos aperitivos e cereais. Lays, Cheetos e Doritos são exemplos. As restantes áreas representam já cerca de um terço das receitas. A empresa beneficiou da maior procura de cereais de pequeno-almoço, devido à crise, que levou os americanos a privilegiar o pequeno-almoço caseiro.

Num contexto de aperto do crédito, os fundos de caixa gerados pelas duas empresas dão-lhes vantagem. A dívida representa, num caso e noutro, menos de metade dos capitais próprios. Um nível confortável, que permitiu à Pepsi anunciar na sexta-feira um plano de recompra de acções no valor de 2,5 mil milhões de dólares, depois de empresas como a Altria, dona da Phillip Morris, ter recentemente desistido do intento.

Com as duas empresas a apresentarem argumentos, qual escolher? A dimensão é pouca ajuda. Se a Coca-Cola é maior em bolsa com uma capitalização de 101 mil milhões de dólares ( A bolsa de Lisboa vale 45 mil milhões), as vendas da Pepsi são superiores. Com um preço-alvo médio de 62,9 dólares, o potencial de valorização atribuído pelos analistas à Pepsi é de 19,6%. O da Coca-Cola é de 15,3% face à avaliação de 50,57 dólares. Contas feitas, mesmo que só beba uma marca, pode investir nas duas. Sempre no longo prazo.



Coca-Cola





As contas anuais da Coca-Cola, divulgadas na quinta-feira, contribuíram para dar algum ânimo às bolsas, evitando males maiores num dia negativo. É que apresentar uma queda de apenas 2,9 milhões de euros em lucros é façanha ao alcance de poucos nesta crise. As receitas e os resultados operacionais subiram.








COLA CONTRA A QUEDA DAS BOLSAS




Durante os últimos 12 meses, a Coca-Cola perdeu 24% em bolsa, o que compara com os 40% da bolsa americana. Uma aposta ganha pelos investidores, que desta forma bateram o mercado. Entre eles está o milionário Warren Buffet, que é o maior accionista com 8,64% do capital. Posição que começou a construir há décadas.






Pepsi






Num ano adverso, a Pepsi conseguiu fazer subir as vendas, graças sobretudo à sua presença internacional. Já os resultados operacionais ficaram praticamente inalterados. A queda de 9% nos lucros é justificada pelos custos com amortizações e o plano de restruturação em curso.






ACÇÕES CAEM 24% EM 12 MESES







Como a rival Coca-Cola, também a Pepsi tem resistido melhor à maré de perdas, com os investidores a reconhecerem os argumentos de que dispõe para enfrentar a crise. Como a rival, a cotação actual excede em mais de 13 vezes a previsão de lucros por acção para 2009. Ligeiramente acima da média.
Ver comentários
Outras Notícias