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Biden tem poucas opções para responder à OPEP+

Para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a parte fácil era ameaçar com uma resposta. Agora, vem o desafio mais difícil: responder.

Lusa/EPA
Bloomberg 06 de Novembro de 2021 às 15:00
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Quando o presidente norte-americano, Joe Biden, pressionou os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados (grupo OPEP+) no sentido de reduzirem os preços do petróleo com um grande aumento da produção, ele alertou para as consequências caso o cartel rejeitasse o seu apelo: "Sobre o que estamos a pensar fazer em relação a isso, tenho relutância em dizer antes de fazer".

 

Agora, Biden tem que aliar as palavras à ação, ou corre o risco de parecer impotente na sua disputa perante o cartel petrolífero.

 

Recorde-se que na quinta-feira, 4 de novembro, a OPEP+ não só rejeitou aumentar a produção acima de 400 mil barris por dia que já tinha planeado, como também se recusou a fazer algum gesto simbólico para acalmar o governo de Washington. Foi simplesmente um claro "não".

 

"A bola está de volta ao campo de Biden", sublinhou Amrita Sen, analista-chefe do departamento de petróleo da consultora Energy Aspects, em Londres.

 

Poucos minutos após o anúncio da OPEP+, a Casa Branca acusou o cartel e os seus aliados de colocarem em risco a "recuperação global de países de todo o mundo". "Vamos considerar toda a gama de ferramentas à nossa disposição para aumentar a resiliência e a confiança da população", disse um porta-voz.

 

Biden tem, decididamente, ferramentas à disposição. Talvez a mais forte seja a reserva estratégica de petróleo (SPR, na sigla em inglês) do país, um enorme stock com mais de 600 milhões de barris guardado na Louisiana e no Texas para grandes emergências.

 

A SPR tem petróleo suficiente para substituir todo o petróleo que os EUA importam da OPEP+ durante mais de um ano.

 

Existem opções mais radicais. Biden poderá proibir as exportações de petróleo dos EUA, mantendo mais barris em casa, ou incentivar o Congresso a aprovar legislação que permita ao governo federal processar a OPEP+ por atuar como um cartel.

 

Mas todas essas medidas trazem grandes riscos políticos, diplomáticos e de mercado, segundo operadores, consultores e diplomatas.

 

Biden está numa "posição difícil", declarou Bob McNally, presidente da consultora Rapidan Energy e ex-funcionário da Casa Branca. "Ele elevou as expectativas quanto a fazer algo – ao mesmo tempo que, acertadamente, observou que nada do que faça pode realmente reduzir os preços da gasolina no curto prazo".

 

O mercado do petróleo agora a ficar agitado com os rumores de libertação das reservas estratégicas dos EUA, seja em coordenação com os aliados da Agência Internacional de Energia, que inclui países como Alemanha, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul, ou mesmo sozinho. Os Estados Unidos também podem tentar libertar as reservas em aliança com países não pertencentes à AIE, como a China e a Índia.

 

"A SPR certamente está na mesa como opção. O presidente terá mais a dizer sobre isso", disse a secretária norte-americana da Energia, Jennifer Granholm, em entrevista à Bloomberg TV. "O governo Biden está muito preocupado com o preço na bomba", acrescentou.

 

Mas muitos especialistas do mercado petrolífero questionam se a situação atual justifica a libertação de stocks. Além de medidas esporádicas devido a cortes de oferta localizados, os EUA apenas acederam às reservas de petróleo algumas vezes, principalmente em resposta aos furacões em 2005 e a conflitos armados: aquando da Guerra do Golfo em 1991 e durante a guerra civil na Líbia, em 2011.

 

Para Biden, o maior problema, talvez, é que a diplomacia do seu governo não conseguiu provocar uma ação da OPEP+, pondo em evidência os limites da sua influência pessoal junto de um grupo que antes prestava muita atenção ao que o governo de Washington tinha a dizer.

 

A Casa Branca disse que a batalha não acabou. "Vamos continuar a trabalhar nisso, não é o fim", anunciou na quinta-feira a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.

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