Mercados num minuto Abertura dos mercados: Europa em mínimos de duas semanas. Travagem económica arrasta petróleo

Abertura dos mercados: Europa em mínimos de duas semanas. Travagem económica arrasta petróleo

Os fantasmas do abrandamento económico continuam a assombrar a negociação bolsista. A Europa negoceia em baixa, mas com exceções. O petróleo cede enquanto o ouro valoriza.
Abertura dos mercados: Europa em mínimos de duas semanas. Travagem económica arrasta petróleo
Reuters
Tiago Varzim 25 de março de 2019 às 09:36
Os mercados em números
PSI-20 perde 0,37% para os 5.141,41 pontos
Stoxx 600 desce 0,42% para os 374,46 pontos
Nikkei desvalorizou 3,01% para 20.972,11 pontos
"Yield" a 10 anos de Portugal sobe 1,3 pontos base para os 1,276%
Euro valoriza 0,15% para os 1,1319 dólares
Petróleo cai 0,28% para os 66,84 dólares por barril, em Londres

Bolsas europeias em mínimos de duas semanas
O "sell-off" da passada sexta-feira mantém-se no início desta semana: as bolsas asiáticas fecharam com quedas superiores a 2% e as bolsas europeias arrancaram a sessão com perdas, apesar de mais modestas. O Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, está a desvalorizar 0,42% para os 374,46 pontos nesta segunda-feira, 25 de março, negociando em mínimos de duas semanas. O índice está a registar quedas há quatro sessões consecutivas.

Em causa está o receio do abrandamento económico que está a afastar os investidores das ações. Na semana passada, os indicadores económicos da Zona Euro fizeram disparar mais alarmes, principalmente sobre a Alemanha e França. Isto depois de a Reserva Federal ter cortado as previsões para a economia norte-americana, adiando qualquer alteração aos juros para 2020, algo que o Banco Central Europeu (BCE) também fez recentemente. 

A atitude mais cautelosa dos bancos centrais está a levar os investidores para as dívidas soberanas, que são vistas como "ativos de refúgio". Ainda assim, nesta sessão este efeito de "sell-off" das ações está ser mais ligeiro com os agentes económicos a aguardar mais informação sobre o andamento da economia, mas também de outros fenómenos de incerteza como o Brexit, cujo prazo termina na sexta-feira, 29 de março. 

Neste momento, as principais praças europeias estão a negociar em baixa, incluindo o PSI-20. A bolsa nacional está a cair 0,37% para os 5.141,41 pontos, atingindo mínimos de um mês. Na passada sexta-feira, a bolsa lisboeta tinha registado a maior queda do ano. Uma das exceções é a o DAX: o índice alemão está a subir ligeiramente depois do Instituto Ifo ter revelado que a confiança dos empresários alemães subiu mais do que o esperado em março.

Juros sobem ligeiramente na Europa
A incerteza relacionada com o crescimento económico tinha levado os juros das dívidas soberanas a mínimos (quase) históricos, como foi o caso da Alemanha, e a níveis nunca antes alcançados, como foi o caso de Portugal. Contudo, neste início de sessão os juros estão a subir ligeiramente. 

Os juros portugueses a dez anos estão a subir 1,3 pontos base para os 1,276% e os juros alemães sobem 1 pontos base para os -0,005%. 

Lira recupera após queda de 5%
A divisa turca está a recuperar mais de 1% depois de na sexta-feira ter caído 5%, a maior queda desde o "crash" que afetou a lira no ano passado aquando das sanções impostas pelos EUA. A recuperação deve-se à declaração do banco central turco de que manterá a estabilidade dos preços e que vai reforçar a acumulação de reservas. 

Já o euro está a subir 0,15% para os 1,1319 dólares. 

Petróleo continua em queda
A inversão da curva de rendimentos da dívida soberana norte-americana continua a ser interpretada com preocupação por parte do mercado uma vez que, no passado, este fenómeno antecedeu a vinda de uma recessão. O receio de um abrandamento económico mais intenso e até o perigo de recessão continua a fazer estragos na recuperação do petróleo. Nem a queda das plataformas de exploração de crude nos EUA para o nível mais baixo em quase um ano foi capaz de suportar a cotação do barril.

O petróleo tinha atingido máximos de quatro meses na semana passada, mas os fracos dados económicos e a demorada resolução do conflito comercial entre os Estados Unidos e a China pressionaram o "ouro negro". O WTI, negociado em Nova Iorque, desliza 0,32% para os 58,86 dólares. Já o Brent, negociando em Londres, que serve de referência para as importações portuguesas, desce 0,28% para os 66,84 dólares. 

"Os investidores estão preocupados com o potencial de uma recessão de longo-prazo e é isso que está a puxar para baixo as expectativas em relação à procura futura [por petróleo]", sintetiza o analista Kim Kwangrae, especialistas em "commodities", à Bloomberg. 

Ouro sobe com preocupações sobre crescimento
O "metal precioso" está a valorizar pela mesma razão que o petróleo está em queda. Visto como um "ativo de refúgio", tal como as dívidas soberanas, o ouro beneficia da incerteza e da preocupação face à travagem económica nas principais economias mundiais: EUA, União Europeia e China. Um relatório do United Overseas Bank, citado pela Bloomberg, aponta para um "rally" do ouro agora que a Fed parou com a normalização da política monetária. 

Neste início de sessão, o ouro sobe 0,26% para os 1.317,14 dólares por onça.



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