Mercados num minuto Abertura dos mercados: Intervenção cambial da China afunda bolsas e leva juros portugueses para novo mínimo

Abertura dos mercados: Intervenção cambial da China afunda bolsas e leva juros portugueses para novo mínimo

As bolsas e as matérias-primas voltam a afundar devido à escalada da guerra comercial. Investidores refugiam-se nos títulos de dívida soberana, levando os juros de Portugal a 10 anos para mínimos históricos.

Os mercados em números

PSI-20 desce 1,17% para 4.846,64 pontos

Stoxx 600 cai 1,89% para 371,00 pontos

Nikkei desvalorizou 1,74% para 20.720,29 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos recuam 2,2 pontos base para 0,2590%

Euro avança 0,2% para 1,1130 dólares

Petróleo recua 1,52% para os 60,95 dólares por barril em Londres 

 

Bolsas europeias seguem sell off da Ásia

A escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China continua a pesar nos mercados acionistas europeus, que estão a ser contagiados pelas fortes quedas dos índices asiáticos. Depois das quedas acentuadas de sexta-feira, o sentimento dos investidores está hoje a ser afetado pela resposta da China às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.

 

Pequim desvalorizou a sua moeda, o yuan, para níveis que não eram vistos há mais de uma década, quebrando a "barreira psicológica" de 7 para 1. Pela primeira vez desde 2008 são necessários mais de 7 yuans para comprar um dólar, sendo que com esta medida o Governo chinês auxilia as exportadoras do país, que estão a ser castigadas pelas tarifas dos Estados Unidos. Paralelamente, o país liderado por Xi Jinping optou por reduzir as importações agrícolas provenientes dos Estados Unidos, contrariando a promessa anterior de as aumentar. 

 

Estas medidas provocaram fortes quedas entre as bolsas asiáticas, com o Hang Seng (Hong Kong) a ceder 2,79%, o CSI 300 (Pequim) a cair 1,91%, o Kospi (Coreia do Sul) a  baixar 2,5% e o Nikkei (Tóquio) a desvalorizar 1,74%.

 

Na Europa o Stoxx600 recua 1,89% para 371,00 pontos depois de na sexta-feira ter sofrido a queda mais forte do ano (-2,5%). A abertura de Wall Street também deverá ser no vermelho já que os futuros sobre o S&P500 cedem 1,31%.

 

As produtoras de matérias-primas são das que mais caem nas bolsas europeias, pois são das mais penalizadas com o escalar da guerra comercial. A Anglo American e a Rio Tinto desvalorizam mais de 3%. O HSBC desce mais de 1% depois de ter anunciado a saída surpresa do seu CEO John Flint.

 

Em Lisboa o PSI-20 acompanha o movimento negativo e desvaloriza 1,17% para 4.846,64 pontos. O índice português está a ser pressionado pelas desvalorizações dos principais pesos pesados, com destaque para o BCP e Galp Energia, que perdem mais de 1%.

 

Yuan acima de 7 dólares 

A intervenção cambial de Pequim está a enfraquecer o dólar face ao euro. A moeda europeia avança 0,2% para 1,1130 dólares, recuperando do mínimo de dois anos fixado na semana passada.

 

As taxas de câmbio do yuan chinês face ao dólar norte-americano quebraram hoje a 'barreira psicológica' de 7 para 1. Cada dólar foi trocado por 7,0258 yuans, de acordo com a taxa "onshore" - aquela operada nos mercados locais, a cotação mais alta desde abril de 2008.

 

Quando a taxa "onshore" cresce é um sinal de que o renminbi (nome oficial da moeda chinesa) está a enfraquecer, já que é mais caro para os detentores de yuan comprar dólares. Enquanto isso, a taxa "offshore" - a que é operada em mercados internacionais como o de Hong Kong - subiu 1,38% e ficou em 7,0683 yuans por dólar norte-americano. 

 

Foi a primeira vez que o yuan subiu acima de 7 em relação ao dólar, considerado por muitos analistas uma 'barreira psicológica' para os investidores, desde que o mercado 'offshore' foi aberto em Hong Kong em 2010.

 

Juros de Portugal nos 0,25% 

A instabilidade nos mercados acionistas está a reforçar o movimento de fuga dos investidores para o mercado de obrigações, até porque o agravamento da guerra comercial poderá pressionar os bancos centrais a intensificar as medidas de política monetária expansionistas, o que é favorável para os títulos de dívida.

 

A yield das obrigações do tesouro a 10 anos está a ceder 2,2 pontos base para 0,2590%, tendo atingido um novo mínimo histórico nos 0,2511. O spread face à dívida alemã mantém-se próximo dos 80 pontos base, uma vez que o juro das bunds também está em mínimo histórico.

 

A taxa das obrigações alemãs a 10 anos está a recuar 2,5 pontos base para -0,524%, já para lá do nível que os investidores apontam que estará a taxa dos depósitos do BCE depois da mexida prevista para setembro.     

 

A tendência de descida é generalizada em toda a dívida soberana europeia. Os títulos espanhóis a 10 anos negoceiam com uma yield de 0,216%, menos 2,2 pontos base do que na sexta-feira.

 

Petróleo volta a deslizar 

O barril de Brent, negociado em Londres e referência para a Europa, continua a recente "montanha-russa" de preços, agora seguindo em sentido descendente. A matéria-prima recua 1,52% para os 60,95 dólares, invertendo da valorização de mais de 2% da sessão anterior – antecedida, por sua vez, por perdas de mais de 7%.

 

As cotações de petróleo "descarrilam", mais uma vez, na sombra da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que pode travar a economia mundial e, consequentemente, a procura de petróleo. Enquanto na última quinta-feira Trump deu um golpe na matéria-prima, ao anunciar novas tarifas comerciais sobre a China, esta segunda-feira é a retaliação de Pequim que preocupa os investidores.

 

Minério de Ferro afunda mais de 8% 

O minério de ferro caiu 8,6% para os 94,32 dólares em Singapura, quebrando a barreira dos 100 dólares. A abalar as cotações está um aumento da oferta, uma queda nos lucros dos produtores e o reduzido apetite dos investidores por matérias-primas no contexto de guerra comercial.

 

"O minério de ferro já ultrapassou o seu pico depois de o acontecimento na Vale o ter levado aos céus", comenta um analista da Fat Prophets, David Lennox, à Bloomberg. A disrupção na produção da gigante brasileira Vale, uma situação que tem vindo a ser colmatada, provocou na altura subidas expressivas no preço da matéria.




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