Mercados num minuto Abertura dos mercados: Juros de Portugal a quatro anos já estão em níveis negativos. Bolsas sem rumo definido

Abertura dos mercados: Juros de Portugal a quatro anos já estão em níveis negativos. Bolsas sem rumo definido

Pela primeira vez desde 2017, os investidores estão a pagar para ter dívida a quatro anos a Portugal. As bolsas europeias seguem em baixa assim como o petróleo.
Abertura dos mercados: Juros de Portugal a quatro anos já estão em níveis negativos. Bolsas sem rumo definido
Reuters
Tiago Varzim 11 de abril de 2019 às 09:35
Os mercados em números
PSI-20 sobe 0,27% para os 5.289,63 pontos
Stoxx 600 desvaloriza 0,43% para os 385,07 pontos
Nikkei valorizou 0,11% para 21.711,38 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos aliviam 1,1 pontos para 1,153%
Euro sobe 0,08% para 1,1282 dólares
Petróleo em Londres perde 0,59% para 71,31 dólares o barril

Preocupações com a economia travam bolsas
As bolsas europeias abriram sem rumo definido esta quinta-feira, 11 de abril, com os investidores a digerir os vários sinais dados pelos bancos centrais. Ontem, tanto o Banco Central Europeu (BCE) na reunião de política monetária como a Reserva Federal nas minutas da última reunião reforçaram a ideia de que a economia vai desacelerar, após o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter cortado as previsões de crescimento quase transversalmente.

Por um lado, os investidores ficam mais preocupados com a evolução da economia e o impacto que isso poderá ter nas cotadas e, por isso, nas bolsas. Por outro lado, a garantia de que os estímulos monetários vão continuar no terreno para impulsionar a economia são boas notícias para os mercados. "A grande questão é saber quão sensíveis irão estar os mercados acionistas a novos estímulos monetários após diversos anos de política monetária expansionista", apontavam os analistas do BPI no diário de bolsa.

Neste momento, o Stoxx 600, o índice que agrega as 600 principais cotadas europeias, está a negociar claramente em terreno negativo ao descer 0,43% para os 385,07 pontos, após terem encerrado em alta na sessão de ontem. "Na pré-abertura, os índices europeus ensaiavam em diferentes direções, após os líderes da União Europeia terem acordado uma nova data de adiamento do Brexit", referiam ainda os analistas do BPI, assinalando o prolongamento da saída do Reino Unido até 31 de outubro. 

Nas praças europeias a tendência é mais negativa, mas não é clara. O PSI-20 segue a desvalorizar 0,01% para os 5.324,68 pontos, mas também já negociou em alta.

Juros de Portugal a quatro anos recuam para níveis negativos
Os juros portugueses estão a aliviar no início desta sessão pela sexta sessão consecutiva, mas há uma novidade. Os investidores que compram dívida no mercado secundário estão a negociar as obrigações portuguesas a quatro anos a um valor que implica um juro negativo: os juros neste prazo estão a descer 0,5 pontos base para os -0,014%. Este marco já tinha sido alcançado durante algumas sessões em 2017.

Apesar destes juros não serem pagos ao Estado, é um indicador do que poderá acontecer se o Estado emitir dívida neste prazo. Ainda ontem o IGCP emitiu dívida a dez anos ao juro mais baixo de sempre. Isto reflete em grande parte da política acomodatícia do Banco Central Europeu (BCE) que tem levado à queda da maior parte dos juros das obrigações dos países europeus. 

Além disso, a agência canadiana DBRS decidiu na sexta-feira elevar a perspetiva para a evolução da dívida de longo prazo de Portugal, de estável para positiva, o que indica que em breve poderá subir o rating e passar a ser a agência que dá melhor classificação à República.

Apesar de não ser uma melhoria da notação financeira, a decisão da DBRS é positiva e está a beneficiar a negociação da dívida portuguesa no mercado secundário. Nos últimos dois meses, os juros das dívidas soberanas têm estado em queda uma vez que têm sido o refúgio dos investidores que temem o impacto da desaceleração económica nos resultados das empresas cotadas. 

Hoje os juros a dez anos estão a descer 1,1 pontos base para os 1,153%, um novo mínimo histórico. 

Libra estabilizada após adiamento do Brexit
A divisa britânica parece ter estabilizado após se saber que o Conselho Europeu acordou ontem prolongar o Brexit até 31 de outubro, antes da tomada de posse da nova Comissão Europeia a 1 de novembro na sequência das eleições para o Parlamento Europeu que se realizam no próximo mês. A 30 de junho será feita uma reavaliação do processo por parte dos chefes de Estado, sendo que o Governo britânico quer aprovar a saída o mais rápido possível. 

A libra está praticamente inalterada face ao dólar e também face ao euro. Já a divisa europeia está a subir 0,08% para os 1,1282 dólares depois de ter resistido ao tom de precaução de Mario Draghi na reunião do BCE.

Petróleo desce com reservas dos EUA em máximos de 2017 
O "ouro negro" está a afastar-se do máximo de cinco meses que tinha alcançado nas últimas sessões. Em causa está o aumento das reservas de crude dos Estados Unidos para o valor mais elevado desde o final de 2017, segundo a Bloomberg, que cita dados da EIA. O reforço dos inventários norte-americanos tem compensado, em parte, o efeito da queda de produção acordada pela Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP). 

De acordo com os dados da Energy Information Administration, os inventários dos EUA adicionaram mais 7,03 milhões de barris na semana passada, mais do dobro do esperado pelos analistas. Já o relatório mensal da OPEP indica uma queda na produção de 534 mil barris por dia no mês passado para 30 milhões. 

Os esforços da OPEP têm sido vitoriosos no sentido que a cotação do petróleo já regista uma subida de 42% desde o início do ano, para a qual também contribuiu a disrupção na produção na Venezuela e na Líbia. 

O crude, negociado em Nova Iorque, regista uma descida de 0,79% para os 64,10 dólares. Já o Brent, negociado em Londres, que serve de referência para as importações portuguesas, desvaloriza 0,59% para os 71,31 dólares

Ouro perto de máximos de duas semanas
O "metal precioso" está a caminho de máximos de duas semanas. A beneficiar o ouro está o corte de previsões do FMI - pela terceira vez em seis meses - para o ritmo de crescimento (3,3%) mais baixo da economia mundial desde a crise financeira. Este cenário ainda mais negativo assim como as minutas da Fed e a desaceleração da inflação nos EUA estão a aumentar a procura por "ativos de refúgio" como é o caso do ouro. 

O ouro está a subir 0,1% para os 1.309,31 dólares por onça. "Somos da opinião de que o dólar norte-americana vai enfraquecer durante este ano" uma vez que os juros ficaram inalterados e isso irá impulsionar os preços do ouro, adianta à Bloomberg o analista da Fat Prophets, David Lennox. 



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