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Fecho dos mercados: Bolsas europeias fecham em máximos de um ano e juros em mínimos históricos com efeito Lagarde

As mais recentes novidades da política monetária e a aparente resolução do problema orçamental em Itália foram os fatores que levaram à subida das bolsas na Europa e à queda dos juros das obrigações soberanas da Zona Euro.

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Reuters
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Os mercados em números
PSI-20 subiu 0,62% para 5.180,84 pontos
Stoxx 600 valorizou 0,85% para 392,58 pontos
S&P500 aprecia 0,55% para 2.989,78 pontos
Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 7,1 pontos base para os 0,289%
Euro desvaloriza 0,1% para 1,1274 dólares
Petróleo em Londres avança 1,14% para 63,12 dólares por barril

Lagarde e Itália elevam Europa para máximos de um ano
As bolsas europeias fecharam a sessão com ganhos, animadas por dois eventos recentes: a escolha de Christine Lagarde para liderar o Banco Central Europeu (BCE) e os desenvolvimentos em torno das contas públicas de Itália. O Stoxx600, índice que agrega as 600 maiores cotadas europeias, fechou a subir 0,85% para 392,58 pontos, atingindo máximos de junho de 2018. As bolsas do Reino Unido e da Alemanha tocaram em níveis de agosto, enquanto a francesa e a holandesa negociaram em máximos de maio.
 
Os investidores estão entusiasmados com a ideia de terem Christine Lagarde à frente do BCE, uma vez que a responsável é defensora do apoio dos bancos centrais ao crescimento da economia, pelo que é esperado que a responsável reforce a política de estímulos da autoridade monetária do euro.
 
A animar a sessão estiveram também os desenvolvimentos em torno da situação orçamental de Itália. Depois de Roma apresentar novas medidas que permitem que o défice orçamental se situe nos 2,04% do PIB este ano, Bruxelas decidiu suspender o procedimento por défices excessivos, o que significa que Itália conseguiu evitar sanções. O que levou o principal índice bolsista italiano a ganhar 2,4% e a liderar as subidas entre as praças europeias.

Spread entre Itália e Alemanha em mínimos de um ano
No mercado secundário, a diferença entre os juros de Itália a dez anos e os da Alemanha no mesmo prazo baixou para 200 pontos base, um mínimo de um ano. Tal acontece no dia em que a Comissão Europeia decidiu suspender a recomendação do procedimento por défices excessivos (PDE) que tinha sido sugerida há um mês. Os juros italianos a dez anos descem 25,5 pontos base para os 1,582%, acumulando seis sessões de quedas e atingindo mínimos de outubro de 2016, e os juros alemães no mesmo prazo aliviam 1,8 pontos base para os -0,387%, também um mínimo histórico. 

Contudo, de forma mais geral, os juros das obrigações soberanas da Zona Euro estão a descer esta quarta-feira, 3 de julho, na perspetiva de que Christine Lagarde, a nomeada pelos líderes europeus para a presidência do BCE, represente uma continuação do mandato de Mario Draghi, a partir de novembro deste ano, seguindo uma política monetária expansionista (juros baixos) para apoiar o crescimento da economia europeia.

Hoje, pela primeira vez, os juros da dívida portuguesa a sete anos entraram em terreno negativo, dois dias depois de os juros a seis anos também terem começado a negociar no vermelho. Isto significa que, no mercado secundário, os investidores já pagam (em vez de receber juro) para comprar dívida portuguesa nesse prazo. Todas as maturidades até sete anos negoceiam com juro negativo

Os juros a dez anos - o prazo de referência - da dívida portuguesa também atingiram um novo mínimo histórico ao aliviar 7,1 pontos base para os 0,289%. Destaque também para os juros da Grécia no mesmo prazo que aliviam 12,2 pontos base para os 2,038%, o valor mais baixo desde 2007, o ano em que arranca a série histórica da Bloomberg para os juros gregos a dez anos.

Euro reage a acusação de Trump
Mais uma vez, Donald Trump acusou no Twitter a Europa e a China de manipularem as suas moedas de forma a prejudicar os Estados Unidos, argumentando que o seu país tem de fazer o mesmo. A reação do euro foi imediata, tendo subido para máximos da sessão logo após a publicação do tweet. Apesar disso, o euro continuou em queda por causa da expectativa de que os juros vão continuar baixos durante mais tempo, desvalorizando 0,1% para os 1,1274 dólares. 

Nota também para a bitcoin que valoriza mais de 5%, negociando acima dos 11 mil dólares pela primeira vez desde o início de 2018. A criptomoeda tem beneficiado nas últimas semanas do anúncio de várias iniciativas relacionadas com moedas digitais, nomeadamente a criação da Libra pela mão do Facebook em parceria com várias empresas como a Visa e a Uber.

Reservas de crude em queda, mas menos que o esperado. Petróleo sobe, mas pouco
O ouro negro está a registar ganhos ligeiros depois de o Instituto do Petróleo Americano ter revelado que as reservas de crude dos EUA voltaram a cair na semana passada. Contudo, os dados oficiais da Administração de Informação de Energia divulgados mais tarde mostraram que a queda não foi tão expressiva quanto o antecipado: passou de uma queda de cinco milhões de barris para 1,1 milhões de barris por dia na semana passada.

Ontem o petróleo registou uma queda superior a 4% com as preocupações sobre a evolução da economia mundial - e o seu impacto na procura por petróleo - a sobreporem-se ao anúncio oficial de que a OPEP vai prolongar os cortes na produção por mais nove meses. De acordo com a Bloomberg, foi a maior descida do petróleo no seguimento de uma reunião da OPEP desde novembro de 2014.

O barril do Brent, negociado em Londres e referência para Portugal, está a subir 1,14% para 63,12 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI) avança 0,52% para 56,53 dólares.

Ouro volta a superar os 1.400 dólares, perto de máximos de seis anos
O metal precioso voltou novamente a aproximar-se dos máximos de 2013 que atingiu em junho. O ouro valorizou para lá dos 1.400 dólares, beneficiando da expectativa de que os juros diretores vão continuar baixos por mais tempo tanto na Europa como nos Estados Unidos. São vários os sinais que apontam para esse cenário: a nomeação de Christine Lagarde para o BCE, as duas escolhas (favoráveis à redução dos juros) de Donald Trump para o Fed e ainda as posições declaradas pelos atuais presidentes do BCE e da Fed uma vez que os indicadores económicos nas principais economias continuam a desiludir. 

"A perspetiva de longo prazo para o ouro é positiva", disse Georgette Boele, da ABN Amro Bank NV, à Bloomberg. Contudo, a analista considera que a cotação do ouro está a aumentar mais do que seria esperado uma vez que o mercado está a incorporar "de forma agressiva" a expectativa de corte dos juros nos próximos meses.

Apesar da tendência da sessão ser de subida, o ouro está neste momento a sofrer uma ligeira desvalorização de 0,15% para os 1.416,56 dólares.
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