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EDP emite 750 milhões em dívida híbrida verde a 60,5 anos com taxa de juro abaixo de 2%  

"A resposta dos investidores a esta operação é assim um sinal claríssimo de confiança na solidez da EDP e no nosso plano de crescimento nas energias renováveis", refere o CFO da EDP.

Rui Teixeira
Rui Teixeira, CFO da EDP
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 25 de Janeiro de 2021 às 12:37
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A EDP esteve esta segunda-feira nos mercados com uma emissão de dívida híbrida verde, sendo que a taxa de remuneração dos títulos foi fixada em 1,95%.

 

Segundo a informação avançada pela Bloomberg, que cita já os termos finais da operação, a procura ficou em 2,8 mil milhões de euros, sendo que a taxa de juro das obrigações baixou face ao valor inicial proposto pela elétrica. Arrancou em 2,375%, baixou depois para 2% e foi fixada em 1,95%.

 

A EDP fixou o valor da operação em 750 milhões de euros, pelo que a procura superou a oferta em quase quatro vezes. Os títulos, que pagam um cupão anual de 1,875%, têm maturidade em agosto de 2081, mas podem ser reembolsados ao fim de 5,5 anos. Daí terem a terminologia de 60,5NC5,5.

 

Quer isto dizer que a EDP pode optar por reembolsar os investidores já em agosto de 2026 (tem de comunicar até 2 de maio de 2026), e depois de cinco em cinco anos, sempre que for data de pagamento do cupão da obrigação.

 

Estes títulos são híbridos pois uma parte do retorno é fixa (taxa de juro) e outra é equiparada a capital. No caso dos títulos que a EDP está a emitir, a taxa de rendibilidade será fixa nos primeiros 5 anos e meio, sendo depois alterada tendo em conta uma série de pressupostos.  

"À semelhança das emissões realizadas em Janeiro de 2020 e Janeiro 2019, os instrumentos representativos de dívida não são garantidos (unsecured), são sénior apenas relativamente às ações ordinárias da EDP e subordinados às suas obrigações de dívida sénior", refere um comunicado da EDP a anunciar os detalhes da operação.

 
Acrescenta que "de entre as suas características chave destaca-se a opção de diferimento de juros, que é cash-cumulative e compounding, e estão sujeitos a eventos que despoletam o pagamento obrigatório. O cupão está sujeito a resets em datas pré-definidas e de acordo com mecânicas pré-definidas e melhor descritas nos termos da emissão".

"Confiança na solidez da EDP e no nosso plano de crescimento"

Esta é a quarta emissão do género efetuada pela EDP. Estreou este mercado em 2015, com a colocação de 750 milhões de euros em títulos a 60 anos com uma taxa de juro e 5,5%.

Em janeiro de 2019 emitiu títulos de dívida verde híbrida a 60,25 anos com uma taxa de 4,5%, tendo colocado mil milhões de euros. E no arranque do ano passado efetuou nova emissão, de 750 milhões de euros, com uma de 1,75%. 

 

Dois anos depois a EDP baixa o custo de financiamento com estes títulos para menos de metade, beneficiando com a descida das taxas de juro nos mercados, mas também com o cada vez maior apetite dos investidores por emissões deste tipo.

Numa declaração enviada ao Negócios, o CFO da EDP, Rui Teixeira, diz que a elétrica já colocou 5 mil milhões de euros de obrigações verdes desde outubro de 2018, "sempre com uma procura muito acima da oferta disponível, mesmo em contextos de mercado mais voláteis, como foi hoje o caso".

"A resposta dos investidores a esta operação é assim um sinal claríssimo de confiança na solidez da EDP e no nosso plano de crescimento nas energias renováveis. Esta emissão, a quarta que a EDP faz no formato híbrido, permite reforçar a flexibilidade financeira do grupo e o seu formato ‘green’ confirma o nosso compromisso com o desenvolvimento de projetos sustentáveis", comenta Rui Teixeira.

De acordo com os detalhes da operação, citados pela Bloomberg, o encaixe com a emissão que está hoje no mercado visa financiar, ou refinanciar, projetos de energias verdes do grupo EDP.

A operação está a cargo dos seguintes bancos: Bank of America, CAIXA, Citi, JPM, Mediobanca, Millennium BCP, Santander, SocGen e UniCredit (B&D).

(notícia atualizada com declarações do CFO da EDP)

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