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Portugal emite 1.250 milhões de dívida de curto prazo com taxas mais negativas

O IGCP, a agência que gere a dívida pública, emitiu 1.250 milhões de euros de dívida de três meses e de 11 meses com taxas de juro mais negativas face à emissão anterior comparável.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 19 de Fevereiro de 2020 às 10:43
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Na segunda emissão de curto prazo de 2020, o IGCP, a agência que gere a dívida pública, conseguiu emitir 1.250 milhões de euros com taxas de juro mais negativas face à emissão anterior comparável.

O instituto liderado por Cristina Casalinho colocou 300 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com maturidade em maio de 2020, com uma "yield" de -0,5%, um juro mais negativo do que os -0,475% da emissão comparável de 16 de outubro.

Esta quarta-feira o IGCP colocou também 950 milhões de euros em títulos com maturidade em janeiro de 2021 (11 meses), com uma taxa de juro de -0,484%, o que compara com os -0,45% da emissão de 16 de outubro, de acordo com os dados da Bloomberg. Na primeira emissão de curto prazo deste ano, a agência tinha emitido a 12 meses com uma taxa de -0,482%.

Ou seja, esta emissão representa uma melhoria em termos de juros face à emissão anterior comparável. Contudo, a emissão de agosto do ano passado também a três e a 11 meses continua a registar as taxas negativas mais baixas de sempre nestes prazos: -0,563% a três meses e -0,557% a 11 meses. 

Quanto à procura por obrigações portuguesas, esta continua a ser robusta apesar de ter vindo a diminuir. Nesta emissão, a procura por bilhetes do Tesouro a três meses superou em 3,49 vezes a oferta, inferior ao rácio de 3,66 da emissão anterior. No caso da emissão a 11 meses, a procura superou em 1,47 vezes a oferta, o que compara com 1,74 na emissão anterior.

No programa de financiamento para 2020, o IGCP anunciou que prevê emitir 13,25 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro em 2020. Com esta emissão, o financiamento anual em BT já garantido sobe para 22,6% (três mil milhões de euros). 

"Portugal volta a emitir dívida com taxas perto dos mínimos históricos nos leilões de dívida de curto prazo", assinala Filipe Silva, do Banco Carregosa, numa reação enviada às redações.

Para o analista "o crescimento mais anémico que temos presenciado pelo mundo, aliado de um novo risco, o coronavirus [Covid-19], não tem permitido uma mudança de discurso por parte dos bancos centrais, o que faz com que as políticas acomodatícias que estão implementadas para já permaneçam".

Ou seja, uma possível subida das taxas de juro diretoras continua a ser uma miragem e pressiona os investidores à procura por rendimento.

No caso de Portugal, segundo o analista, ainda há uma vantagem dado que o custo - dado que são juros negativos - é "inferior a outras geografias" e, por isso, a dívida portuguesa de curto prazo mantém-se "atrativa para os investidores que necessitam de ter investimentos em instrumentos de dívida de curto prazo".

Na semana passada, Portugal emitiu dívida de longo prazo, tendo encaixado 1.227 milhões de euros em obrigações do Tesouro. Na operação a seis anos, o IGCP conseguiu pela primeira vez emitir com juros negativos.

(Notícia atualizada às 11h07 com mais informação e o comentário de Filipe Silva do Banco Carregosa)
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