Portugal e as Olimpíadas
Para a China, os Jogos Olímpicos são a sua consagração como potência política, económica e desportiva. O número de medalhas será apenas o seu reflexo em termos de "marketing". Ao contrário, Portugal, nestes Jogos, mostra as duas velocidades em que corre.
Os atletas são o reflexo da nossa sociedade, da nossa forma de olharmos para o futuro, da nossa psicologia social. Em Pequim está o Portugal que acredita na estratégia, no estudo meticuloso e no risco.
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E está o Portugal chorão, que culpa tudo à volta pelos seus fracassos, que procura o consolo protector, porque é incapaz de correr contra as adversidades. Em Portugal está o melhor e o pior de Portugal.
Na cidade dos Jogos está o Portugal que se prepara para poder assumir o risco e garantir a vitória. É esse o Portugal de Naide Gomes, que refere que o que a motiva é superar-se a si própria. Repare-se na "nuance" das palavras.
A sua motivação não é atingir os objectivos a que se propôs: é ultrapassar os que estão para lá do horizonte. Esses são os objectivos de um Portugal moderno, que muitas vezes não encontra no País a transparência e a liberdade, para criar valor.
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Seja no desporto, seja na economia, seja na cultura. E por isso, muitas vezes, tem de emigrar para poder ser reconhecido. Mas, em Pequim, também está o Portugal que, não encarando as próprias falhas, culpa os juízes, as adversárias, como numa gigantesca conspiração, contra ela. É o Portugal do condicionamento intelectual. E esse não se mede em medalhas.
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