O fado dos accionistas da banca
São muitos os pequenos accionistas desiludidos com a evolução bolsista do BCP que foram deixando o seu investimento em carteira e agora já perderam mais de 99 por cento do dinheiro investido.
Estão numa situação ligeiramente melhor do que os investidores no BES que ficaram até ao momento da resolução e perderam tudo, mas o saldo para quem aplicou as suas poupanças num banco que vendia agressivamente o título aos clientes, dando como contrapartida condições mais favoráveis em créditos, é simplesmente aterrador.
Tal como estes pequenos investidores há tubarões como Berardo que também perderam fortunas, mas a diferença é que o dinheiro dos grandes investidores, não era deles. Aliás a compra massiva de acções do BCP a crédito por especuladores é um dos episódios marcantes da montanha de imparidades que os principais bancos acumularam, particularmente no próprio BCP, na Caixa e nos despojos do antigo BES.
Há ainda casos de investidores que acreditaram numa retoma quando as acções atingiram o patamar de uma bica (60 cêntimos) em 2011. Pura ilusão. Quando o preço de um café já dava para ter um portefólio, o banco decidiu juntar 75 títulos em cada acção e a cotação superou 1 euro. Mas a notícia de novo aumento de capital, voltou a baixar esse patamar e feitas as contas cada acção velha equivale a pouco mais do que um cêntimo.
A boa notícia é que o reforço de capital chinês e o acompanhamento dos angolanos evita problemas para o Estado. Nestes dias agitados já é uma conquista um banco livrar-nos de mais um resgate público.
Isto porque os contribuintes já se tornaram investidores forçados de um sistema financeiro afogado em imparidades e com uma pressão excessiva por parte dos reguladores europeus que exigem rácios de capitais próprios sem racionalidade e lesivos da economia portuguesa. Neste fado de accionistas forçados da banca, já chega a conta do BPN, do Banif, da capitalização da Caixa. Que o destino nos livre de novo fado com o Novo Banco.
Director-adjunto do Correio da Manhã
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