Rios na terra, rios no céu
A resposta a eventos extremos passa por prevenir danos e para isso temos de investir mais na preparação: é importante ensaiar cenários de médio e longo prazo, simular ocorrências, reforçar e testar os sistemas de proteção civil, repensar e redesenhar infraestruturas, mas também garantir que os rios têm espaço para transbordar.
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Sento-me mais uma vez ao computador, com a banda sonora da chuva que bate no vidro da janela. Continua a chover. Chove todos os dias, e o céu não larga a tonalidade cinzento-escura de quem ainda tem mais chuva para dar. Suspiro. Pelo menos tenho um teto, eletricidade e Internet, ao contrário de tanta gente gravemente afetada pelas recentes intempéries que assolaram o nosso país nas últimas semanas. Este inverno tem sido pródigo em rios atmosféricos, que trazem grandes quantidades de vapor de água dos trópicos, atravessam o oceano Atlântico e a vêm descarregar aqui. Quando o fazem, e estando os solos já ensopados em praticamente 100% do território, a precipitação engrossa os rios das bacias hidrográficas, que correm cada vez mais fortes para o mar, muitas vezes galgando as margens que lhes quisemos impor. Seja na terra, seja no céu, este é o ciclo da água que conhecemos desde a escola primária, mas parece que tomou esteroides.
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