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David Bernardo davidbernardo@yahoo.com 16 de Julho de 2020 às 20:10

Hora de entrar na realidade virtual

A realidade virtual chegou, para ficar. Há que usar a criatividade, mas a ver se desta vez a maioria das empresas chega a esta festa antes de estar cheia e já não conseguirem entrar.

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Viajar deixou de ser tão comum, por trabalho reduziu substancialmente, não podemos ir de férias ao estrangeiro, o trabalho passou a remoto e biliões de pessoas ficaram fechadas em espaços confinados. Queremos sair, mas não podemos. Mas, se percebemos o mundo através dos sentidos… que tal enganá-los? Podemos fazer ioga numa nuvem ou nadar com um tubarão na nossa sala através da realidade virtual.

A realidade virtual já teve vários falsos arranques, mas parece que agora está para ficar e crescer. Já em 1995 a Nintendo tinha lançado, sem êxito, o “Virtual Boy”. A tecnologia não estava pronta, capacetes pesados e caros que faziam qualquer um enjoar depois de 15 minutos, falta de conteúdos e “standards”. Mas a situação mudou. O Oculus quest, o capacete de realidade virtual do Facebook, ajudou bastante a minha quarentena. A tecnologia não é perfeita, mas está muito melhor e já há conteúdos muito razoáveis. Desde os jogos e experiências imersivas, até algo que me surpreendeu muito, as aplicações de exercício físico. Substituí as minhas aulas de boxe reais e o professor de ioga por versões virtuais e passei várias horas a meditar em galáxias distantes. Em vez de fazer chamadas por Whatsapp para o meu pai, pudemos jogar pingue-pongue entre Lisboa e a cidade do México enquanto falávamos e joguei “squash” espacial com pessoas de todo o mundo. Os preços começam a ser acessíveis a partir dos 120 euros por um capacete. Naturalmente é ainda um produto de nicho com pouca penetração, mas a procura começa a aumentar, o Oculus quest esteve esgotado na maioria do primeiro semestre no mundo inteiro e já vendeu mais de US$100 milhões em aplicações. Ainda faltam alguns passos, como reduzir mais os capacetes, um bom reconhecimento do corpo e incluir outros sentidos como o tato e o cheiro, mas se juntarmos o facto de ter grandes empresas como o Facebook e a Apple (que vai lançar os primeiros produtos na área), a equação parece estar quase completa.

O facto de ser um nicho não justifica que é muito cedo para as empresas entrarem? Não tanto. Há situações onde já tem todo o sentido, mais ainda nesta nova normalidade. Quando conseguimos que um capacete tenha uma utilização por várias pessoas, evite viagens de trabalho e melhore a experiências de venda, indústrias como o retalho, a educação e as exposições podem já começar a rentabilizar esta tecnologia.

Por exemplo, podemos transformar qualquer loja de aldeia com 20 m2, numa grande superfície, em vez de ter um modelo de frigorífico têm 50 virtuais em tamanho real. A partir do momento em que o cliente faz o pedido, o frigorífico chega a sua casa em 24 horas pelos canais de comércio eletrónico normal. O próximo nível de omnicanalidade.

Lançamento de produtos ou feiras em que diminuímos custos de viagem, podemos medir a interação com o comprador e personalizá-la, diminuir o custo de stands e aumentar o alcance e duração dos eventos fazem todo o sentido também.

Porque é que a maioria das empresas continua a não investir nestas soluções se são boas? Existem todo o tipo de argumentos... os mesmos que já utilizaram quando acharam que o comércio eletrónico era uma moda, os mesmos que levaram a que não estivessem preparados para a digitalização, que nesta quarentena selou a morte de muitas empresas (nalguns casos ainda para chegar no próximo período).

A realidade virtual chegou, para ficar. Há que usar a criatividade, mas a ver se desta vez a maioria das empresas chega a esta festa antes de estar cheia e já não conseguirem entrar.

 

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