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Mariana Sampaio Lino 02 de Novembro de 2020 às 17:31

Inovação nas PME e grandes empresas portuguesas: o crescente destaque de Portugal no mundo

É necessário que as organizações estejam dispostas a ver a tecnologia como um motor para essa mudança, para se posicionarem no mercado de forma mais sustentada ou mesmo para garantir a sua sobrevivência.

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Segundo o CFO Pulse Survey, inquérito realizado pela PwC a cerca de 1000 CFO dispersos por 23 países, 82% das empresas planeiam cortar ou adiar os seus investimentos devido à incerteza atual. Ainda assim, apenas 18% dos inquiridos planeiam realizar esses cortes na transformação digital, o que reforça a importância atribuída à necessidade de manter um investimento constante na digitalização, muitas vezes associada a projetos dedicados maioritariamente à inovação tecnológica, mas com grande preocupação na aproximação aos seus clientes.

 

A inovação incide atualmente em todas as áreas de mercado, empresas industriais ou de serviços, públicas ou privadas, como também em empresas de diferentes dimensões, pois ao contrário do anteriormente vivenciado a inovação tem estado presente cada vez mais em empresas de média e pequena dimensão.

 

De forma a colher os benefícios da inovação, esta não deverá ser o resultado de esforços meramente casuísticos e localizados, provenientes da iniciativa de departamentos individuais; deverá ser encarada de forma abrangente como um pilar cultural de qualquer organização, fundamental para alavancar e impulsionar os novos modelos de negócio.

 

Neste contexto, Portugal tem-se mostrado uma referência no paradigma europeu, tendo sido um dos países onde a performance de inovação mais cresceu desde 2012, conjuntamente com Lituânia, Malta, Letónia e Grécia, segundo o European innovation scoreboard 2020, publicado em junho deste ano pela Comissão Europeia. Através deste resultado, Portugal passou ao grupo de "Strong Innovators", ficando à frente de países como a Espanha ou a Itália.

 

Dos indicadores analisados nesta publicação, Portugal destaca-se pelo seu ambiente favorável à inovação e pelos investimentos das empresas, sendo nas dimensões de "Inovação Não-I&D" "Inovadores, ambiente favorável à inovação e sistemas de pesquisa avançados" onde se verifica o maior destaque. Portugal tem uma pontuação particularmente boa em PME com inovação interna, penetração da banda larga, inovação de produto ou processo assim como atrai diversos estudantes de doutoramento estrangeiros para os temas aqui abordados. Impactos de vendas, vínculos e ativos intelectuais são as dimensões de inovação menos bem pontuadas. Importante ainda destacar que o desenvolvimento de mecanismos de exportações a serviços intensivos em conhecimento e I&D no setor empresarial são um ponto facto apontado no estudo para Portugal.

 

De facto, a aposta das organizações portuguesas na inovação - e a importância que esta tem assumido nos últimos anos no tecido industrial do país - dá-nos confiança perante um futuro incerto. Por outro lado, esta confiança não pode deixar que os líderes das organizações descuidem o ritmo de mudança que a inovação imprime nos seus negócios. Num contexto onde as pequenas e médias empresas predominam, a boa notícia para o mercado português é que as ferramentas tecnológicas estão cada vez mais ao alcance de todos, como refere Adaire Fox-Martin, Executive Board Member SAP, com soluções mais adaptáveis e adequadas aos requisitos das mesmas.

 

E porque devem as empresas apostar na implementação de ferramentas tecnológicas? Por mais óbvia que pareça esta pergunta, a verdade é que muitos clientes nos perguntam qual o real valor dos investimentos em tecnologia. Pela nossa experiência, os sistemas de informação têm a capacidade para simplificar a crescente complexidade das cadeias de abastecimento e dos modelos de negócio em geral: muitas organizações perdem-se na quantidade de dados disponíveis, não conhecem realmente as causas de problemas organizacionais e têm dificuldades por isso em tomar decisões informadas para transformar as boas ideias em alterações que sejam percepcionadas pelos clientes como importantes e consequentemente mais lucrativas.

 

Num mundo onde tudo está conectado, onde inteligência artificial é uma realidade e a performance das empresas caminha para a perfeição, a mudança tem de ser exponencial. É necessário que as organizações estejam dispostas a ver a tecnologia como um motor para essa mudança, para se posicionarem no mercado de forma mais sustentada ou mesmo para garantir a sua sobrevivência.

A complexidade atual dos processos é grande, pois muitas vezes os mesmos encontram-se desatualizados e excessivamente burocráticos, dificultando a necessidade de transições rápidas para reação ao mercado.

 

Por outro lado, para que as organizações sejam bem-sucedidas nas suas transformações digitais, e possam tirar partido das potencialidades da inovação, não chega dispor das melhores soluções tecnológicas. Para o sucesso destas iniciativas de mudança, é essencial que as empresas consigam alinhar as potencialidades da tecnologia com as competências das suas pessoas, pois elas são realmente o motor para a mudança (os seus colaboradores, clientes e restantes partes interessadas).

 

Posto isto, qual seria a sua resposta para a mudança? De que forma está a pensar descobrir novas oportunidades num dos tempos mais disruptivos da história da humanidade? Permitam-me desde já vos desafiar: ou impulsionam e fomentam a mudança, ou serão levados por ela.

 

Consulting Senior Manager da PwC

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