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Gustavo Soares - Empresário e Gestor 07 de Dezembro de 2020 às 19:20

O preço das casas

A capacidade de financiar a habitação permite também escoar de forma normal a chamada construção nova evitando que os construtores e promotores desçam o nível de preços, para potenciarem as vendas, inundando o mercado de nova oferta a preços mais baixos.

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Sendo o Imobiliário um dos setores estruturante da economia Portuguesa, uma das preocupações que mais tem surgido é saber qual a evolução do preço das casas no cenário Pós-pandémico.

 

Os recentes números do setor destacam já uma diminuição do nº de transações. Estimando-se que em 2020 o mercado feche negativo, com um decréscimo de 10% em relação a 2019, atingindo-se no total do ano um valor a rondar as 165 mil transações. Sendo pouco claro ainda o impacto que essa diminuição terá na evolução do nível de preços, a questão que se coloca é se estamos perante um impacto conjuntural que será mitigado à medida que saímos da pandemia, voltando o mercado essencialmente ao normal, ou se estamos perante um impacto estrutural, conduzindo-nos a um novo equilíbrio de mercado, certamente mais deprimido em relação aos anos anteriores.

 

Recentes informações da "Agência Moody´s", sinalizam já a possibilidade dos preços no mercado residencial Europeu descerem em média cerca de 2%, com maior impacto e incidência para os países do Sul da Europa mais dependentes da atividade do turismo.

Em Portugal, estima-se que se nada for feito o impacto nos preços pode ser na ordem dos 4 a 6%, representando, apenas este impacto, uma perda estimada de cerca de 1,25 mil milhões de euros para a economia. Deste modo a evolução do setor dependerá da atenção que Portugal e o governo colocará em alguns temas centrais.

 

O primeiro desses temas é o setor bancário não apenas na questão das moratória mas sobretudo na capacidade de financiar os potencias compradores. A manutenção e o apoio ao credito à habitação é crucial para que os níveis de procura se mantenham e para que muitas famílias possam reconverter o seu portfólio, trocando casas de maior valor por casas de valores mais baixos, de modo a ajustarem as suas prestações a períodos de menor rendimentos. A capacidade de financiar a habitação permite também escoar de forma normal a chamada construção nova evitando que os construtores e promotores desçam o nível de preços, para potenciarem as vendas, inundando o mercado de nova oferta a preços mais baixos.

 

O segundo tema refere-se ao apoio fiscal e legislativo ao setor do alojamento local, criando condições para que estes pequenos empresários continuem com os seus negócios, através de medidas simplificadoras e de incentivo à continuação da sua atividade, que forte impacto têm no chamado "autoemprego" e no desenvolvimento do comércio local nas principais cidade e vilas do país. De salientar no entanto que as ultimas iniciativas legislativas das chamadas "condições mínimas para funcionamento" parecem fomentar exatamente o oposto, colocando mais complexidade e necessidade de investimento neste período tão crítico.

 

E por último as chamadas politicas de atração de investimento estrangeiro, que tanta importância tiveram no ultrapassar da ultima grande crise e que agora podem ser determinantes. Sendo desta forma fundamental relançar o regime dos Vistos Gold ou outros de modo a suster a tendência de baixa de preços e de atividade, a proposta legislativa de retirar Lisboa e Porto, as duas principais e mais atrativas cidades, deste esquema é um forte travão à procura internacional e um potenciar da descida dos preços e à perda de importantes receitas fiscais.

 

Empresário e Gestor

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