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Manuel Canaveira de Campos 04 de Setembro de 2019 às 18:05

Liberdade e igualdade em tempo eleitoral 

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade." (Artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem)

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De acordo com o relatório publicado pela OXFAM, no início do corrente ano, o fosso entre os mais ricos e os mais pobres aumenta cada vez mais. Em 2018, os 26 mais ricos do mundo tinham em seu poder tantos recursos como os 3,8 mil milhões de pessoas que fazem parte da metade mais pobre da população mundial.

 

A desigualdade nas comunidades humanas remonta ao início da história, com a apropriação diferenciada das terras e dos meios de produção no início da revolução agrícola, mais tarde com as sociedades comerciais e de modo mais gritante com o advento da revolução industrial. Nas épocas passadas, os que formavam o grupo com menos direitos e mais explorado, constituindo ao longo dos tempos a escravatura, a plebe, o proletariado, eram, pelo menos, considerados agentes necessários no processo produtivo. Na sociedade atual, a situação é mais grave, pois   já não se consideram como inferiores simplesmente os trabalhadores cujo salário não lhes permite sair da pobreza, ou os desempregados já não aceites no processo produtivo, mas um número cada vez maior de "excluídos da sociedade".

 

No século XIX, a revolução industrial originou o aparecimento de diversos movimentos associativos de cariz social e económico, como foi o caso do cooperativismo, para responder às desigualdades humanas, afirmando e lutando pelos valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade. O objetivo fundamental do cooperativismo é evitar a desigualdade entre os seres humanos, apontando como grandes princípios e valores a liberdade e a igualdade, pilares da democracia.  A liberdade afirmada no tradicional princípio da "porta aberta", recusando toda a forma de discriminação ou desigualdade na cooperativa, aberta à livre adesão dos que querem uma vida com dignidade e respeito mútuo. A igualdade afirmada e presente no democrático princípio "um homem, um voto" e na igualitária participação económica no capital da cooperativa e na equitativa distribuição dos seus resultados.

 

Nas democracias liberais em que vivemos, os grandes valores da liberdade e da igualdade estão longe de dar lugar a uma verdadeira fraternidade humana e a uma corrente de solidariedade universal. A globalização em que vivemos ainda não nos despertou para uma solidariedade que vá para além de dar do que nos sobra e, se possível, de dar a quem o merece, segundo os nossos critérios.

 

Nos Estados democráticos que cada vez mais vão alargando a sua presença a nível mundial, o trabalho pela igualdade humana apresenta-se ainda como esforçada assistência a situações de pobreza ou de grande carência. Há ainda muito caminho para uma verdadeira igualdade de oportunidades para todos.

 

A época mais profunda e festiva da democracia são os períodos eleitorais. São tempos que retomam, além do aspeto competitivo, a celebração da dignidade humana, base da sociedade democrática, e os valores originários da liberdade e da igualdade que nesses momentos praticamos pelo voto, afirmando conscientemente o sentido de comunidade política, na definição das linhas do futuro e na escolha temporária dos dirigentes.

 

Dois anos de economia social numa visão plural

Com a edição de hoje concluem-se dois anos de publicação semanal, quase ininterrupta, de uma página dedicada à economia social, no Jornal de Negócios.

 

Esta iniciativa resulta de uma parceria entre a Cofina Media e a Associação Mutualista Montepio, cabendo à mutualidade a coordenação editorial, através do Gabinete de Estudos Sociais e Mutualistas, em colaboração com o Observatório da Economia Social Portuguesa (CIRIEC-Portugal).

 

Durante estes dois anos foram editadas 106 páginas, com notícias sobre a economia social e artigos de opinião assinados por 54 personalidades, entre professores universitários, dirigentes e quadros de entidades da economia social, nomeadamente mutualidades, cooperativas, misericórdias, fundações, outras IPSS, associações de desenvolvimento local e coletividades de cultura, recreio e desporto.

 

Dois anos marcados por importantes acontecimentos para a economia social em Portugal. Positivamente, pela criação e institucionalização da Confederação Portuguesa da Economia Social e a publicação da 3.ª edição da Conta Satélite da Economia Social. Negativamente, pelo desaparecimento de ativistas, entre os quais o Professor Jorge de Sá, um dos impulsionadores desta página.

 

Até breve!

 

Presidente da Assembleia Geral do CIRIEC-Portugal e ex-Presidente do INSCOOP

 

Coordenação: GESM - Montepio

Apoio: OBESP - CIRIEC

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